STF apura possível irregularidade em emendas destinadas a filme sobre Bolsonaro, com foco em repasses para produtora ligada a Mário Frias.
O Supremo Tribunal Federal (STF) está investigando a destinação de R$ 2,6 milhões em emendas parlamentares que teriam beneficiado a Academia Nacional de Cultura (ANC). A entidade é presidida por Karina Ferreira da Gama, que também lidera a Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulado “Dark Horse”.
A investigação foi iniciada após denúncia da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), que aponta supostas irregularidades nos repasses. O ministro Flávio Dino, do STF, determinou a intimação do deputado federal Mário Frias (PL-SP) para prestar esclarecimentos sobre o caso. A tentativa de notificar Frias tem enfrentado dificuldades, com oficiais de justiça não conseguindo localizá-lo em seu gabinete.
A polêmica envolve emendas parlamentares de deputados filiados ao Partido Liberal (PL), sigla de Bolsonaro. A investigação busca entender se houve um direcionamento indevido de verbas públicas para financiar produções de cunho ideológico. Conforme informações divulgadas pelo site The Intercept Brasil, a Academia Nacional de Cultura recebeu os valores mencionados.
Mário Frias é alvo de intimações para prestar esclarecimentos
Oficiais de justiça tentam, há mais de um mês, intimar o deputado Mário Frias. Ele é acusado de ter destinado, segundo a denúncia de Tabata Amaral, ao menos R$ 2 milhões para a Academia Nacional de Cultura. O ministro Flávio Dino deu um prazo de cinco dias para o parlamentar responder às acusações, mas Frias tem sido ausente em seu gabinete na Câmara dos Deputados.
Assessores parlamentares informaram aos oficiais de justiça que Frias estaria em São Paulo para compromissos de campanha, sem demonstrar interesse em fornecer a agenda do deputado. A situação levanta questionamentos sobre a transparência na aplicação de recursos públicos.
Filme “Dark Horse” e a conexão com emendas parlamentares
A denúncia de Tabata Amaral foi motivada por uma reportagem que apontou a Academia Nacional de Cultura como beneficiária de R$ 2,6 milhões em emendas de deputados do PL. A ANC é presidida por Karina Ferreira da Gama, que também dirige a Go Up Entertainment. Esta última é a produtora do filme “Dark Horse”, previsto para estrear semanas antes do primeiro turno das eleições presidenciais.
A deputada Tabata Amaral sugere a formação de um grupo econômico que poderia dificultar o rastreamento de verbas públicas e, indiretamente, financiar produções cinematográficas com viés ideológico. A investigação do STF busca desvendar essa possível conexão.
Outros deputados e a destinação de recursos
Os deputados Bia Kicis e Marcos Pollon também foram intimados por Flávio Dino. Ambos apresentaram seus esclarecimentos dentro do prazo. Marcos Pollon admitiu ter destinado R$ 1 milhão para a Secretaria de Cultura de São Paulo, visando a produção de uma série documental pela Go Up Entertainment. No entanto, ele alegou que o projeto não avançou por incapacidade da entidade e redirecionou os recursos para a área da saúde.
Bia Kicis admitiu ter destinado R$ 150 mil para a mesma série documental, mas também pontuou que a indicação não foi executada. Ela classificou a petição de Tabata Amaral como “maldosa”, negando qualquer conexão entre sua emenda e o filme “Dark Horse”.
Senator Flávio Bolsonaro e o financiamento de “Dark Horse”
Uma reportagem recente revelou que o senador Flávio Bolsonaro teria solicitado a um banqueiro, cerca de R$ 134 milhões para custear o filme “Dark Horse”. Deste montante, R$ 61 milhões teriam sido liberados. Áudios divulgados indicam conversas sobre a necessidade de aporte financeiro para o filme, em um momento delicado para o banqueiro, que foi preso no âmbito da Operação Compliance Zero.
Em sua defesa, Mário Frias, que é roteirista e produtor executivo do filme, afirmou que o senador Flávio Bolsonaro não possui participação societária no filme ou na produtora. Frias também declarou que a obra não recebeu “nem um único centavo” do Banco Master ou do banqueiro em questão, e que o financiamento é inteiramente privado.
Frias defende a produção como uma “superprodução em padrão hollywoodiano”, com capital privado, e que será um negócio bem-sucedido para os investidores. Ele ressaltou a qualidade da produção e o potencial de retratar o ex-presidente Bolsonaro.