Investigadores da PF divergem sobre Lulinha e fraudes no INSS, com parte defendendo foco em provas concretas.
Um racha interno na Polícia Federal abala as investigações da Operação Sem Desconto. Parte dos investigadores que atuam no caso questiona o aprofundamento das apurações sobre o envolvimento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, argumentando que, até o momento, não há provas suficientes de sua participação em irregularidades.
Esses investigadores defendem que o foco das apurações seja direcionado para as fraudes já em andamento e para a conclusão dos casos mais avançados, além da busca por novos elementos através de acordos de delação premiada. A divergência expõe tensões sobre a direção que a investigação deve tomar.
Apesar do impasse, pontos cruciais ainda precisam ser esclarecidos, como o depoimento da empresária Roberta Luchsinger, que será ouvida pela PF nesta quarta-feira (20). Espera-se que ela forneça detalhes sobre sua possível atuação como intermediária em transações suspeitas envolvendo Lulinha e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o Careca do INSS.
Suspeitas sobre sociedade oculta e intermediação de negócios.
A Polícia Federal levantou a suspeita de que Lulinha possa ter sido um sócio oculto do Careca do INSS. A empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e com negócios envolvendo o lobista, é peça-chave nesse ponto. O depoimento dela busca esclarecer se ela teria atuado como ponte em transações financeiras que podem ligar Lulinha ao esquema de fraudes.
Tanto a defesa de Lulinha quanto a de Roberta Luchsinger negam veementemente qualquer ilegalidade. Marco Aurélio de Carvalho, advogado de Lulinha, afirma que seu cliente sequer foi formalmente investigado, enquanto os advogados de Luchsinger declaram que os negócios de sua cliente com a empresa do Careca do INSS foram apenas tratativas iniciais e não prosperaram, ocorrendo antes das revelações sobre os desvios do INSS.
Conflitos entre PF e PGR marcam o andamento das apurações.
As divergências de entendimento sobre a investigação de Lulinha não são recentes e já foram evidenciadas em manifestações opostas entre a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR). A PF chegou a solicitar a quebra de sigilo de Lulinha, pedido que foi contrário pela PGR por falta de elementos suficientes.
No entanto, o ministro relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça, autorizou a quebra de sigilo no início do ano. Similarmente, Mendonça determinou o monitoramento eletrônico de Roberta Luchsinger, mesmo com a PGR se manifestando contra, por não ver clareza nas suspeitas contra ela.
Troca na chefia das investigações gera desconfiança e cobranças.
Em meio a esses embates, a chefia das investigações da Operação Sem Desconto foi transferida dentro da Polícia Federal. As apurações saíram da Coordenação-Geral de Polícia Fazendária para a Cinq (Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores). A PF justificou a mudança como uma forma de garantir maior eficiência e continuidade às investigações, com melhor estrutura.
Contudo, a alteração gerou desconfianças em congressistas, levando o ministro André Mendonça a cobrar explicações sobre a situação. Enquanto parte dos observadores das investigações vê a possibilidade de pressões externas, outra parcela considera a mudança adequada para dar mais consistência aos casos. A PF reafirmou que a equipe de delegados e investigadores permanece a mesma.