PF aponta repasse milionário da Refit para empresa ligada à família de Ciro Nogueira em investigação que mira Cláudio Castro
Uma investigação da Polícia Federal, ligada à Operação Sem Refino, identificou um repasse de R$ 14,2 milhões de um fundo associado à Refit, empresa de Ricardo Magro, para uma companhia da família do senador Ciro Nogueira (PP-PI). A transação ocorreu em 2024.
O valor foi transferido pelo fundo Athena, vinculado à Refit, para a Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis Ltda. O senador, que preside o PP e foi ministro da Casa Civil, não figura como sócio atual da empresa, que pertence a familiares. Ele alega ter tido, à época, menos de 1% de participação.
A informação consta em um relatório da PF enviado ao Supremo Tribunal Federal e que fundamentou a Operação Sem Refino, deflagrada na última sexta-feira (15). Ciro Nogueira não foi alvo da ação policial, que teve como um dos principais alvos o ex-governador do Rio, Cláudio Castro, e solicitou a inclusão de Ricardo Magro na lista vermelha da Interpol. Conforme apurado pela Folha, o documento foi divulgado inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Senador Nogueira nega irregularidades e explica transação
Em resposta, o senador Ciro Nogueira, por meio de sua assessoria, lamentou as tentativas de associá-lo a escândalos, afirmando que não praticou nenhum ato irregular. Ele explicou que o pagamento se refere à venda de um terreno com mais de 40 hectares em Teresina, destinado à construção de uma distribuidora de combustíveis.
Segundo Nogueira, a área, situada em local valorizado, foi vendida de forma regular e declarada aos órgãos competentes, com valores compatíveis com o mercado. Ele reiterou que a empresa atua no ramo imobiliário e que ele não possui participação na mesma atualmente.
Outros repasses e alvos da Operação Sem Refino
A representação da PF, sob sigilo, também menciona outros repasses. Jonathas Assunção, ex-secretário-executivo da Casa Civil na gestão de Ciro Nogueira, recebeu R$ 1,3 milhão ligados à Refit. A PF aponta que esses valores foram rapidamente transferidos para Assunção, caracterizando, segundo a investigação, uma possível “empresa de passagem”.
A Operação Sem Refino, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, também realizou buscas e apreensões em endereços ligados a Cláudio Castro. A investigação busca apurar irregularidades em contratos e repasses financeiros. A Refit e Ricardo Magro negam as acusações de falsificação de declarações fiscais e fornecimento de combustível para o crime organizado.
Contexto e outras investigações envolvendo os citados
Ciro Nogueira também foi alvo de busca e apreensão em outra operação recente, a Compliance Zero, relacionada a irregularidades no Banco Master. Já Ricardo Magro é investigado em outras operações, como a Carbono Oculto, que apura sonegação de impostos na importação de gasolina.
A Refit, em nota, declarou que é falso afirmar que Ricardo Magro controla a companhia ou que faz parte do quadro de acionistas, o que contradiz declarações anteriores do próprio Magro. Cláudio Castro, por sua vez, manifestou sua confiança na Justiça e na lisura de sua gestão.