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Paul McCartney relembra dor e reconciliação com John Lennon nos últimos dias dos Beatles

Paul McCartney abriu o jogo sobre a turbulenta fase final dos Beatles, revelando em entrevista à NME que as críticas de John Lennon o machucaram profundamente. O músico descreveu a tensão como um período doloroso, mas que, com o tempo, trouxe um novo entendimento sobre a dinâmica da parceria.

As palavras de Lennon, que segundo McCartney “estava falando muito mal de mim”, foram sentidas como ataques pessoais. O cantor confessou que, na época, sentiu as críticas como se “cravassem pequenos punhais” em seu peito, gerando uma frustração constante sobre como responder ao amigo de longa data.

No entanto, uma mudança de perspectiva marcou o fim desse sofrimento. McCartney percebeu que as ações de Lennon eram, em grande parte, parte de sua personalidade. Essa constatação, como ele mesmo disse, aliviou o peso, pois ele compreendeu que era apenas “o John sendo o John”, um amigo que ele conhecia desde a adolescência.

A disputa pela gestão e o papel de Allen Klein

Um dos principais pontos de atrito que contribuiu para o fim dos Beatles, conforme relembrado por McCartney, foi a divergência sobre a gestão dos negócios da banda. Enquanto ele defendia o advogado Lee Eastman, os outros membros preferiam o empresário Allen Klein.

O tempo, segundo o músico, confirmou sua avaliação negativa sobre Klein. Ele apontou que a banda se separou em parte por causa dessas questões de negócios e que, eventualmente, Lennon concordou com sua visão de que Klein era um “vigarista”. Essa confirmação trouxe um alívio e um reconhecimento, mesmo que relutante, por parte de Lennon.

“Quando se confirmou que eu tinha razão, foi bom ouvir o John dizer: ‘Acho que o Paul talvez estivesse certo’ – a contragosto”, contou McCartney. Ele acredita que, apesar de doloroso, esse período de conflito foi necessário para evitar que fossem “roubados” por pessoas como Klein.

Composições e a memória de Lennon e Harrison

Em relação à sua composição atual, Paul McCartney afirmou que não sente a obrigação de “homenagear” John Lennon ou George Harrison em suas músicas. Ele declarou que não pensa muito nisso ao compor, focando em expressar suas próprias experiências e memórias.

McCartney citou uma música de seu novo álbum, “Days We Left Behind”, onde ele menciona o início de sua parceria com Lennon em Liverpool, lembrando de “Nos conhecemos na Forthlin Road” e de como eles “criaram um código secreto para nunca ser falado”.

“Não sinto que tenho que ser respeitoso. Ele é apenas um amigo – é só esse cara que eu conheci, e nós escrevíamos músicas juntos, então não sinto um senso de responsabilidade. Espero que seja responsável”, disse o músico, enfatizando a naturalidade da relação que mantinham.