Operação da PF atinge aliado de Flávio Bolsonaro e levanta dúvidas sobre candidatura ao Senado no Rio de Janeiro
Uma operação da Polícia Federal deflagrada nesta quarta-feira (7) abalou as estruturas do palanque político do senador Flávio Bolsonaro (PL) no Rio de Janeiro. O ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), pré-candidato ao Senado, tornou-se alvo de busca e apreensão sob suspeita de lavagem de dinheiro, gerando incertezas sobre sua permanência na disputa.
A situação de Canella, que já teve sua gestão marcada por nomeações de suspeitos de envolvimento com milícias, era vista com apreensão pela campanha de Flávio Bolsonaro. A indicação do ex-prefeito ao Senado fazia parte de uma aliança estratégica com o União Brasil, visando fortalecer a base eleitoral em busca de votos para a presidência.
A vulnerabilidade do nome de Canella, aliada a investigações em curso, expõe mais uma fragilidade no cenário político do Rio de Janeiro para Flávio Bolsonaro. A notícia é baseada em informações divulgadas pela Folhapress.
Investigação da PF mira Márcio Canella em esquema bilionário de lavagem de dinheiro
Márcio Canella foi alvo da 6ª fase da Operação Unha e Carne, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Segundo a Polícia Federal, o ex-prefeito foi preso em flagrante por possuir um fuzil calibre .556 em situação irregular em seu veículo. A investigação aponta para movimentações financeiras suspeitas que ultrapassam R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme relatório do Coaf.
As suspeitas envolvem contratação direta ilegal, lavagem de dinheiro e outros crimes. A divulgação do caso gerou grande repercussão, e a equipe de Canella ainda não se pronunciou oficialmente sobre os desdobramentos da operação.
Fragilidades no palanque de Flávio Bolsonaro no Rio se acumulam
A operação contra Márcio Canella soma-se a outros abalos no projeto político de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro. O ex-governador Cláudio Castro (PL) já havia desistido de sua pré-candidatura ao Senado após ser alvo de duas operações da PF. Além disso, o plano do deputado Douglas Ruas (PL) de assumir o Palácio Guanabara foi frustrado após o STF determinar a permanência do desembargador Ricardo Couto no cargo.
Esses episódios demonstram a **dificuldade de Flávio Bolsonaro em consolidar seu projeto político** no estado, com aliados importantes sendo fragilizados por investigações e decisões judiciais. A busca por um nome forte para compor a chapa no Rio se torna cada vez mais desafiadora.
União Brasil discute substituto para Canella e novas alianças políticas
Diante da situação de Márcio Canella, o União Brasil e aliados de Flávio Bolsonaro já debatem possíveis substitutos para a vaga de senador. Uma das opções em pauta é o nome de Felipe Curi (PP), ex-secretário de Polícia Civil, que ganhou notoriedade por comandar a Operação Contenção. No entanto, o PP fluminense resiste em abrir mão de Curi, que é pré-candidato a deputado federal.
Outra possibilidade é reconfigurar a aliança para apoiar o pré-candidato ao governo, Douglas Ruas (PL). O Republicanos negocia o apoio a Ruas e pode indicar o deputado Marcelo Crivella para compor a chapa. A definição do nome para a vaga ao Senado é crucial para a estratégia eleitoral do grupo no Rio de Janeiro.
Futuro da candidatura ao Senado e movimentações internas no PL
A permanência de Canella na disputa ainda não está totalmente descartada, pois a prisão em flagrante por porte de arma e o sigilo dos autos contribuem para a cautela na tomada de decisão. Contudo, o desgaste é inegável.
Enquanto isso, o PL ainda busca um substituto para Cláudio Castro na disputa pelo governo. O senador Carlos Portinho (PL) tem ganhado apoio, mas Flávio Bolsonaro avalia que o deputado Carlos Jordy (PL) possui maior aceitação na base bolsonarista. O deputado Sósthenes Cavalcante (PL) também foi cogitado, mas sua chance diminuiu após ser alvo de uma nova operação da PF.