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Master pagou R$ 126,6 milhões a empresa ligada a réu por estelionato contra idosos do INSS

Uma empresa desconhecida, com sede no centro do Rio de Janeiro, recebeu um montante expressivo de R$ 126,6 milhões do banco Master. As transações foram classificadas pela instituição financeira como pagamentos por prestação de serviços. O sócio-administrador da Midias Promotora LTDA, Gilson Bahia Vasconcelos, figura como réu em um processo onde é acusado de liderar um esquema de fraude contra aposentados e pensionistas do INSS, a maioria idosos.

O valor destinado à Midias Promotora LTDA supera, por exemplo, os R$ 80 milhões pagos ao escritório de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes. A situação levanta sérias dúvidas sobre os procedimentos de compliance do Master e a diligência na escolha de seus prestadores de serviço.

A reportagem buscou contato com Gilson Bahia Vasconcelos e sua defesa, bem como com a assessoria do Master, mas não obteve respostas detalhadas sobre os serviços prestados que justificassem o vultoso valor. A falta de transparência alimenta as especulações sobre a natureza dessas transações.

Esquema de Fraude e Pagamentos Misteriosos

Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro, Gilson Bahia Vasconcelos seria um dos líderes de um esquema que visava fraudar aposentados e pensionistas do INSS. A organização criminosa utilizava um programa de computador, o Vanguard, para acessar dados das vítimas. Em seguida, funcionários de um call center ligavam para os idosos, oferecendo cartões de desconto e solicitando um encontro presencial para a confecção do cartão.

Nesse encontro, as vítimas, sem saber, cediam suas imagens para reconhecimento facial. Essa informação era utilizada para firmar contratos de empréstimo consignado, com descontos diretos na folha de pagamento, cujos valores eram subsequentemente desviados. A equipe de funcionários era incentivada com bonificações e prêmios, como serviços de beleza, para atrair mais vítimas.

Discrepância entre o Valor Pago e o Perfil do Beneficiário

As cifras envolvendo a Midias Promotora LTDA contrastam com os dados registrados sobre Gilson Bahia Vasconcelos. A empresa, aberta em 2020 com capital social de R$ 1 milhão, recebeu pagamentos vultosos no mesmo ano em que Vasconcelos recebeu auxílio emergencial do governo, no valor total de R$ 3.000, distribuído em cinco parcelas mensais de R$ 600. O endereço residencial declarado por Vasconcelos é de um sobrado simples em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, e não há registro de imóveis em seu nome.

A Midias Promotora LTDA possui uma dívida ativa de R$ 12,5 milhões com a União por não pagamento de impostos, sendo a maior parte dos valores protestada. Sua atividade principal é a de correspondente de instituições financeiras. Vasconcelos também administra outra firma, a Midias Promotora LTDA – SCP1, aberta em 2021, que utiliza um modelo de Sociedade em Conta de Participação (SCP), estrutura com menor regulação.

O Terceiro Maior Repasse do Master

O montante pago à Midias Promotora LTDA representa o terceiro maior repasse efetuado pelo banco Master por serviços prestados entre 2022 e 2025. Ficou atrás apenas de duas outras empresas, uma ligada a Daniel Monteiro, apontado como arquiteto jurídico do banco, e outra ao ex-sócio Augusto Lima. Essas informações foram obtidas a partir de dados enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado.

Em 2024, período em que a Midias recebeu a maior parte dos pagamentos do Master, R$ 96 milhões, Gilson Bahia Vasconcelos esteve preso preventivamente por quase um mês. A prisão ocorreu devido ao processo relacionado ao golpe do call center contra aposentados, no qual ele é réu por estelionato e participação em organização criminosa. Além deste caso, ele é apontado em outras duas ações movidas por pessoas que alegam ter sido vítimas de fraudes com empréstimos consignados.

Defesa e Posicionamento das Partes

O advogado de Gilson Bahia Vasconcelos afirmou, em nota, que seu cliente não integra o quadro societário da empresa envolvida no caso do call-center que o levou à prisão. Ele ressaltou que Vasconcelos teve a liberdade concedida e cumpre medidas cautelares há quase dois anos, e que o processo ainda não teve audiência marcada, sendo prematura qualquer conclusão que não seja a de inocência.

Sobre a Midias Promotora LTDA, o advogado declarou que todas as movimentações financeiras são realizadas dentro da legalidade, de acordo com o objetivo empresarial e devidamente reportadas aos órgãos competentes, conforme as normas de transparência da Receita Federal. A companhia reitera seu compromisso com a integridade e se coloca à disposição para esclarecimentos técnicos.