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Lula critica Flávio Bolsonaro e o acusa de “traição da pátria” em meio a ameaças de tarifas dos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a classificar integrantes da família Bolsonaro como “traidores da pátria” nesta quarta-feira (3). A declaração ocorreu após novas ameaças de tarifas americanas contra o Brasil, em sequência ao encontro entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Lula expressou indignação com a atitude de brasileiros que, segundo ele, estariam fomentando conflitos comerciais com a perspectiva de prejudicar candidaturas políticas. “Um imbecil desses não percebe que quem é prejudicado é o povo, não é o Lula”, afirmou o presidente, sem mencionar explicitamente a família Bolsonaro.

A tensão surge após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) publicar relatórios que sugerem novas taxações sobre o Brasil, podendo impactar até 21% da pauta de exportação brasileira aos EUA com uma alíquota de 37,5%. Conforme informação divulgada pela Folha de S.Paulo, essa situação se desenrola após um encontro entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump, onde o senador teria pedido a Trump que não aplicasse tarifas contra o Brasil.

Encontro com Trump e pedidos de tarifas

Na última terça-feira (2), Donald Trump publicou uma foto do encontro que teve com o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, elogiando-o como um “jovem inteligente”. Flávio Bolsonaro, por sua vez, declarou ter solicitado a Trump que não impusesse tarifas sobre produtos brasileiros e também enviou uma carta à Casa Branca com o mesmo pedido.

Lula classifica ato como “grosseria” e “traição”

Em reunião ministerial, Lula declarou que pedir uma punição ao país com o intuito de prejudicar uma candidatura ou obter vantagem é um ato de tamanha “grosseria” que só pode ser chamado de “traição da pátria”. “É o que eles fizeram”, enfatizou o presidente.

Ele conclamou seus ministros a afirmarem “em alto e bom som” que há uma tentativa de “trair o Brasil com interesses mesquinhos” em meio a uma disputa eleitoral. “Não há disputa eleitoral em qualquer país do mundo que possa dar valor a alguém que trai a pátria, a alguém que é capaz de vender o seu país por interesses mesquinhos”, declarou o petista.

Cobrança por representação em inaugurações de obras

No início da reunião ministerial, Lula também cobrou de seus ministros maior presença na inauguração de obras federais. Ele avalia que governadores e prefeitos adversários têm se beneficiado indevidamente da popularidade de ações do governo federal.

“Se você não estiver de corpo presente, ninguém de fora vai dizer quem está fazendo o que nesse país. Ou seja, tanto para o prefeito quanto para o governador quanto para outra pessoa qualquer que estiver falando não terá nenhuma importância esclarecer quem fez [a obra]”, argumentou o presidente.

Estratégia para a reeleição

A entrega de obras é vista como uma das principais apostas de Lula para fortalecer sua candidatura à reeleição. O presidente planeja acelerar o ritmo de inaugurações e entregas nas próximas semanas para aumentar sua visibilidade nos estados, permitindo que ministros também representem o governo federal em eventos menores.

Lula instruiu seus ministros a se concentrarem na execução de projetos já planejados, sem apresentar novas propostas. “Ninguém me apresente absolutamente nada novo. Agora é entregar o que já foi pensado”, disse o presidente.

Prazo eleitoral e críticas a governadores

O prazo para inaugurações de obras públicas por candidatos se encerra em 4 de julho, devido às regras eleitorais, com o primeiro turno marcado para 4 de outubro. Lula já criticou publicamente governadores, como Tarcísio de Freitas (Republicanos) de São Paulo, por não darem o devido crédito ao governo federal em obras como o programa Minha Casa, Minha Vida.

O presidente também demonstrou descontentamento com o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), em relação a inaugurações do Minha Casa, Minha Vida. Tanto Tarcísio quanto Ratinho Jr. são de grupos políticos adversários e de estados onde Lula busca aumentar sua popularidade para garantir a reeleição.