Google Desmente Otimização de Busca com IA para Reter Usuários, Prioridade é Conectar à Informação
O Google refuta a ideia de que sua nova busca com inteligência artificial (IA) foi desenvolvida para manter os usuários presos em suas páginas. Segundo Pandu Nayak, cientista-chefe de busca da empresa, o objetivo principal é sempre **conectar as pessoas à informação** que procuram, ampliando o acesso a diversas fontes.
Em sua passagem por São Paulo, Nayak concedeu entrevista à reportagem e abordou as preocupações sobre como a IA na busca pode impactar o tráfego para sites jornalísticos e outros produtores de conteúdo. Ele assegurou que a lógica do produto não se baseia em reter usuários, mas sim em **ajudá-los a encontrar o que desejam** de forma eficiente.
“Nós nunca tivemos como métrica manter as pessoas na busca. Isso nunca foi otimizado para isso. Nós sempre otimizamos para ajudar os usuários a conseguir o que eles querem”, declarou Nayak. A declaração surge em um momento em que o Google enfrenta investigações no Brasil e na Europa sobre o uso de IA em seus resultados de busca.
IA na Busca: Uma Ferramenta para Aprofundamento, Não Retenção
Nayak explicou que as recentes atualizações na busca com IA seguem a mesma filosofia: permitir que os usuários façam perguntas complexas e recebam respostas diretas, incentivando a exploração de **informações adicionais através de links fornecidos**. O Google acredita profundamente no ecossistema da web, vendo-o como um espaço rico para conexão e publicação de conteúdo.
“De todas as empresas de tecnologia, o Google, mais do que qualquer outra, acredita muito no ecossistema da web. Pessoalmente, acredito no ecossistema da web, e o Google também, porque acho que a web tem uma certa riqueza que ninguém mais tem. É o local onde as pessoas podem vir e dizer coisas. As pessoas querem se conectar com pessoas”, afirmou o cientista-chefe.
O Google **envia bilhões de cliques diariamente para sites** e tem testado ativamente diferentes maneiras de destacar as fontes utilizadas nas respostas geradas por IA. O objetivo é que o usuário comece pela resposta concisa e, em seguida, utilize os links para se aprofundar no assunto, garantindo o fluxo de tráfego para os criadores de conteúdo.
Investigações e o Papel da IA Generativa
O uso de respostas de IA pelo Google está sob escrutínio. No Brasil, o **Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica)** investiga o impacto da Visão Geral de IA e do Modo IA no tráfego e na receita de veículos de informação. Na Europa, a Comissão Europeia apura acusações de vantagem competitiva desleal e impacto nos editores.
Questionado sobre a influência do ChatGPT, Nayak ressaltou que o Google utiliza IA há anos em seus sistemas de busca, como o RankBrain e o Bert, para **melhorar a compreensão das intenções de busca**. A empresa também é pioneira na arquitetura “transformer”, base dos modelos de linguagem que alimentam os chatbots de IA.
“O que realmente veio ‘para a frente’ [para o público] foi a IA generativa. Pegamos o que há de mais moderno e trouxemos para a busca para nossos usuários. Nosso foco realmente é ajudar os usuários a receber informações relevantes e de alta qualidade de volta quando usarem a busca”, disse Nayak.
Busca Agêntica: O Futuro da Interação com a IA
Nayak também compartilhou seu entusiasmo com a busca agêntica, um recurso apresentado no Google I/O. Essa funcionalidade permite que a busca realize tarefas em nome do usuário, como configurar alertas de informação ou até mesmo **fazer reservas e compras**. Embora ainda não esteja amplamente disponível no Brasil, o recurso demonstra o avanço do Google em tornar a IA uma ferramenta ainda mais proativa.
O executivo destacou um exemplo pessoal, onde a busca o alertou sobre novas informações sobre exploração espacial, um tema de seu interesse. Essa capacidade de antecipar e oferecer informações relevantes é um dos pilares da evolução da busca com IA.
O Google continua a **experimentar e inovar** na forma como a IA é integrada à busca, com o objetivo declarado de enriquecer a experiência do usuário e fortalecer o ecossistema da web, garantindo que as fontes de informação sejam devidamente reconhecidas e acessadas.