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STF analisa mudanças na Lei da Ficha Limpa que podem beneficiar políticos condenados.

O Supremo Tribunal Federal (STF) está em meio a um julgamento que pode ter um impacto significativo nas futuras eleições, especialmente em 2026. A Corte decidirá sobre a constitucionalidade de alterações na Lei da Ficha Limpa, aprovadas pelo Congresso Nacional e sancionadas pelo Executivo.

O ministro Luiz Fux acompanhou o voto da relatora Cármen Lúcia, posicionando-se contra as mudanças que reduzem o período de inelegibilidade para candidatos condenados. A decisão final, que ainda depende do voto de outros oito magistrados, está prevista para ser concluída no plenário virtual até o dia 29 de maio.

As alterações legislativas em questão antecipam o início da contagem do prazo de inelegibilidade para o momento da condenação, ao invés de após o cumprimento da pena, o que, na prática, diminui o tempo em que um político condenado fica impedido de disputar eleições. Conforme informação divulgada pela fonte original, essas mudanças foram contestadas no STF pelo partido Rede Sustentabilidade, por meio de ação movida pelo advogado Márlon Reis, considerado o idealizador da Lei da Ficha Limpa.

Entenda o que está em jogo com o julgamento

O cerne do debate no STF reside nas modificações que diminuem as causas de inelegibilidade, como no caso de condenações por improbidade administrativa. A relatora Cármen Lúcia argumentou em seu voto que tais alterações **esvaziam a legislação** e representam um **retrocesso na proteção da probidade administrativa e da moralidade pública**, desamparando o eleitor na escolha de candidatos íntegros.

Ministra Cármen Lúcia critica “aceleração açodada” para retorno político

Cármen Lúcia enfatizou que a alteração do prazo de inelegibilidade pode ser interpretada como uma forma de **impunidade ou anistia**, o que prejudica a lisura do processo eleitoral. Segundo a ministra, o papel do Supremo é justamente **afastar comportamentos e atos que impeçam ou dificultem a probidade administrativa e a moralidade pública**, princípios fundamentais do regime republicano.

Impacto potencial para políticos como Eduardo Cunha e Sérgio Cabral

Caso as mudanças aprovadas pelo Congresso sejam mantidas pelo STF, figuras políticas como Eduardo Cunha, Anthony Garotinho, Sérgio Cabral e José Roberto Arruda poderiam ter suas candidaturas beneficiadas em futuras eleições. O Instituto Não Aceito Corrupção (Inac) divulgou uma nota pedindo que os demais ministros acompanhem o voto de Cármen Lúcia, argumentando que é de **interesse público manter condenados afastados da vida pública por períodos significativos**.

Ação questiona mudanças que enfraquecem a Lei da Ficha Limpa

A ação que tramita no Supremo Tribunal Federal contesta trechos da lei que, segundo críticos, **enfraquecem o propósito original da Ficha Limpa**, que é garantir a elegibilidade de políticos com histórico de condenações. O julgamento, que se estende até o final de maio, definirá o alcance e a efetividade da legislação que visa barrar candidatos com antecedentes criminais do processo eleitoral.