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Flávio Bolsonaro enfrenta o desafio de construir alianças fortes no Nordeste, onde o PT mantém hegemonia e aliados demonstram hesitação em apoiar abertamente sua candidatura à Presidência. A falta de candidatos definidos em estados chave e a resistência de lideranças locais são obstáculos significativos.

A região Nordeste, crucial para a vitória de Lula em 2022, representa um terreno árduo para o projeto político de Flávio Bolsonaro. Enquanto o PT aposta em manter sua base eleitoral sólida, o campo bolsonarista se vê em meio a indefinições estratégicas e alianças instáveis, comprometendo a articulação regional.

A estratégia de Flávio Bolsonaro para ampliar seu espaço no Nordeste esbarra em um cenário complexo, marcado pela força do lulismo, pelo pragmatismo político das lideranças locais e por divergências internas no próprio PL. A busca por palanques competitivos se torna, assim, uma corrida contra o tempo e contra as particularidades eleitorais da região.

Conforme apurado pela reportagem, o senador Flávio Bolsonaro (PL) encontra dificuldades consideráveis na consolidação de sua presença política no Nordeste. A situação é marcada pela ausência de postulantes definidos aos governos estaduais em quatro estados importantes, pela fragilidade de alguns palanques já formados e pela relutância de aliados em manifestar apoio explícito à sua pré-candidatura à Presidência da República. Essa conjuntura se agrava pelo fato de a região ser um reduto eleitoral histórico do PT, tendo sido fundamental para a eleição do presidente Lula em 2022.

### Indefinições e Resistências em Estados Chave

A menos de um mês do início do prazo para as convenções partidárias, o grupo político ligado a Bolsonaro ainda não definiu candidatos ao governo em Pernambuco, Ceará, Maranhão e Alagoas. No Ceará, as negociações para uma aliança com Ciro Gomes (PSDB) seguem em compasso de espera, em meio a tensões internas no PL, evidenciadas por um desentendimento entre Flávio e Michelle Bolsonaro. Ciro Gomes, por sua vez, tem mantido distância, afirmando que sua participação em atos de campanha estaria restrita ao seu próprio partido.

### Cenário Nebuloso no Maranhão e Pernambuco

O cenário maranhense também se apresenta incerto. Lahesio Bonfim (Novo), que se apresentava como candidato bolsonarista, desistiu da disputa pelo governo e agora negocia uma candidatura ao Senado. No PL local, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho declarou apoio a aliados de Lula para o Senado, como Weverton Rocha (PDT) e André Fufuca (PP). Em Pernambuco, o PL não possui candidato a governador, e Anderson Ferreira, que concorreu em 2022, optou por disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, indicando um foco em candidaturas legislativas.

### Baixas e Pragmatismo em Alagoas e Sergipe

Em Alagoas, o PL perdeu força com a saída do ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, para o PSDB. O deputado federal Alfredo Gaspar (PL) avalia uma chapa ao Senado sem candidato a governador. Já em Sergipe, o PL sofreu novas baixas com a filiação de Valmir de Francisquinho ao Republicanos, após perder o controle do partido. O PL local lançou Ricardo Marques como candidato a vice-prefeito de Aracaju, mas sem o apoio da prefeita Emília Corrêa, que também se filiou ao Republicanos.

### Alianças Estratégicas e Distanciamento Nacional

Na Bahia, o PL firmou aliança com ACM Neto (União Brasil) para enfrentar o governador Jerônimo Rodrigues (PT). Contudo, ACM Neto tem adotado uma postura de distanciamento da disputa nacional, sinalizando apoio ao nome de Ronaldo Caiado (PSD). Apesar da pressão de bolsonaristas para que ACM Neto suba no palanque de Flávio Bolsonaro, aliados veem riscos em tal movimento, que poderia afastar eleitores lulistas.

### Palanques Estruturados e Análise Política

Os palanques mais robustos para Flávio Bolsonaro no Nordeste encontram-se na Paraíba e no Rio Grande do Norte. Na Paraíba, Efraim Filho (PL) tem feito campanha em conjunto com Flávio Bolsonaro. No Rio Grande do Norte, Álvaro Dias (PL) concorre ao governo como principal nome da direita. Segundo o cientista político Elton Gomes, professor da Universidade Federal do Piauí, as dificuldades de Flávio Bolsonaro no Nordeste refletem não apenas a força do PT, mas também o pragmatismo das lideranças regionais, que priorizam relações com o governo federal para evitar custos eleitorais. Ele ressalta que o Nordeste não é um bloco homogêneo, apresentando um lulismo forte no interior e um crescimento do bolsonarismo em áreas urbanas, impulsionado por pautas conservadoras e de segurança pública. “O PT ainda é hegemônico no Nordeste, mas o teto do bolsonarismo subiu.”, conclui Gomes.