Flávio Bolsonaro se manifesta em audiência pública nos Estados Unidos contra tarifas sobre produtos brasileiros, pedindo que punições sejam direcionadas.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, inscreveu-se para apresentar argumentos em uma audiência pública nos Estados Unidos. O encontro tem como objetivo discutir a proposta de imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, uma iniciativa do governo americano que pode impactar significativamente a economia do país.
A estratégia de Flávio Bolsonaro, conforme relatado pelo empresário bolsonarista Paulo Figueiredo, é clara: criticar o governo do presidente Lula e defender que quaisquer sanções impostas pelos EUA sejam individualizadas, atingindo os “responsáveis pelas práticas investigadas” e não a economia brasileira como um todo. A audiência, marcada para 6 de julho, é uma etapa crucial antes da decisão final sobre as tarifas.
A participação do senador brasileiro em Washington visa a apresentar uma perspectiva contrária à medida, argumentando que as tarifas propostas pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) acabariam por prejudicar exportadores brasileiros, importadores americanos e consumidores de ambos os países, sem, contudo, atingir os verdadeiros culpados pelas condutas apontadas na investigação. Essa audiência pública é vista pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil como um espaço para manifestações do setor privado e outras partes interessadas, enquanto o governo brasileiro foca em atuações por canais diplomáticos.
Argumentos contra as tarifas: foco em responsabilidade individual
Durante sua intervenção, Flávio Bolsonaro pretende sustentar que a proposta de tarifas pelo USTR, em vez de resolver as questões levantadas, acabaria por penalizar indiscriminadamente a economia brasileira. A ideia central é que as sanções devem ser direcionadas aos indivíduos ou entidades responsáveis pelas práticas que os Estados Unidos consideram desvantajosas para suas empresas, e não uma medida generalizada que afete o comércio bilateral.
Entre as reclamações americanas, que incluem críticas ao uso do Pix, alegações de remoção de conteúdo político de plataformas e a falta de combate à corrupção, o senador argumentará que algumas dessas questões, especialmente a moderação de conteúdo em plataformas digitais, derivam de decisões judiciais e não de legislações aprovadas pelo Congresso Nacional. Ele defenderá que tais medidas foram impostas “à margem da lei” sem aprovação legislativa específica, e que existem mecanismos institucionais nos EUA para contestá-las.
Defesa do Pix e disputa institucional no Brasil
Um dos pontos que Flávio Bolsonaro deve enfatizar é a defesa do Pix, o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central. Segundo Figueiredo, o senador argumentará que o Pix tem beneficiado consumidores, empresas brasileiras e até mesmo companhias americanas com atuação no Brasil. A investigação do USTR aponta preocupações com políticas brasileiras que supostamente favoreceriam empresas nacionais de meios de pagamento em detrimento de concorrentes americanas.
O senador pretende rebater essa avaliação, afirmando que o Pix não prejudicou investidores estrangeiros e não deveria ser tratado como um objeto de negociação comercial. A estratégia geral busca reforçar o argumento de que os temas levantados pela investigação americana são, na verdade, parte de uma disputa institucional em curso no Brasil, e que, por isso, não deveriam servir de justificativa para sanções econômicas amplas contra o país. O relatório definitivo da investigação deve ser publicado até 15 de julho, com a palavra final sobre a aplicação das medidas a cargo do ex-presidente Donald Trump.
Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo em Washington
Paralelamente à audiência de Flávio Bolsonaro, o influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro estão em Washington. Eles participaram de reuniões com senadores americanos e autoridades da Casa Branca. Uma das pautas defendidas por eles na capital americana é a retomada da Lei Magnitsky contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, demonstrando uma frente de atuação política e de pressão internacional.
A documentação preparada por Flávio Bolsonaro para a audiência, segundo Figueiredo, vem sendo elaborada há semanas, contendo dezenas de páginas de análises técnicas. O senador terá um tempo limitado de cinco minutos para apresentar seu depoimento, o que exigirá uma comunicação concisa e focada nos pontos cruciais de sua argumentação. A expectativa é que sua fala gere repercussão nas discussões sobre as futuras tarifas comerciais entre Brasil e Estados Unidos.