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Eduardo Bolsonaro sugere fim das alianças do PL com o Novo após polêmica envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro.

O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL) manifestou neste sábado (13) um forte descontentamento com o partido Novo, sugerindo o rompimento de todas as alianças entre seu partido, o PL, e o Novo. A declaração surge como resposta a novas críticas feitas por Romeu Zema, pré-candidato à Presidência e figura proeminente do Novo, sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

As alianças entre PL e Novo são estabelecidas em diversos estados brasileiros, como Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Goiás. A tensão atual, no entanto, ameaça essa colaboração partidária, evidenciando um racha significativo entre as legendas.

A polêmica foi desencadeada por declarações de Romeu Zema em entrevista ao site Brasil Paralelo, publicada na sexta-feira (12). O ex-governador de Minas Gerais reiterou suas críticas a Flávio Bolsonaro, referindo-se à época em que vieram à tona conversas onde o senador do PL pedia dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Vorcaro foi preso no contexto do escândalo envolvendo o Banco Master.

Zema reitera críticas e classifica relação como “vagabunda”

Na entrevista, Zema afirmou não se arrepender de suas críticas anteriores. Ele declarou: “Teria como eu aplaudir alguém que se aproxima do maior banqueiro bandido da história do Brasil? É difícil aplaudir quem esteve, quem conviveu com uma pessoa como ele. Eu fiquei indignado, expressei minha indignação e não mudo em nada. Para mim, quem anda com bandido merece ser visto com cautela.”

Eduardo Bolsonaro, em sua resposta no X (antigo Twitter), qualificou a postura de Zema como “vagabunda”, argumentando que a crítica a Flávio Bolsonaro seria motivada por inveja. “Que postura vagabunda, critica Flávio Bolsonaro apenas porque ele queria estar no lugar do Flávio. Por mim, rompia geral com o partido Novo”, escreveu o deputado.

Doação ao Novo e a defesa de Zema

Quando questionado sobre uma doação de R$ 1 milhão da família Vorcaro ao Novo em Minas Gerais, Zema defendeu que o partido nunca se comprometeu com nenhuma contrapartida. Ele explicou que a doação ocorreu em 2022, antes de quaisquer suspeitas sobre Daniel Vorcaro, e que o valor doado ao Novo teria sido menor do que o destinado a outros partidos. Zema chegou a ironizar, dizendo que o banqueiro “deveria ter doado mais, já que é o partido mais sério do Brasil”.

Dados da prestação de contas do Novo ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) confirmam que Henrique Moura Vorcaro, pai do dono do Banco Master, doou R$ 1 milhão ao diretório estadual do partido em Minas Gerais nas eleições de 2022, ano em que Zema foi reeleito governador. A doação foi feita antes do vazamento dos áudios relacionados ao caso do filme “Dark Horse”.

Racha já vinha se desenhando com Carlos Bolsonaro

Vale notar que a possibilidade de rompimento com o partido de Zema já havia sido levantada por Carlos Bolsonaro, outro filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, no final de maio. Na época, Carlos utilizou o X para expressar sua frustração com Zema, sugerindo que o pré-candidato à Presidência agia de má-fé.

“Estou para conhecer sujeito mais baixo que esse! Tentamos e na primeira oportunidade vem mais uma facada! E não me venham falar que isto é pontual, pois não é. Analisem e tirem vocês suas conclusões! Tudo tem muita permissão e casca de palmeira! Este sujeito está cada dia fazendo a chance de seu partido se desintegrar de forma brutal”, escreveu Carlos Bolsonaro na ocasião.

Contexto político e alianças em jogo

Antes do vazamento dos áudios que envolveram Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, Romeu Zema era cogitado por aliados do senador do PL para uma possível posição de vice na chapa presidencial. Em 2 de junho, Flávio Bolsonaro, Zema e Ronaldo Caiado (PSD) se reuniram em uma feira de agronegócio, onde pactuaram uma parceria da direita visando conter a tentativa de reeleição do presidente Lula (PT).

A declaração de Eduardo Bolsonaro intensifica a crise e coloca em xeque a unidade da direita, especialmente em um ano eleitoral. O desentendimento entre PL e Novo pode ter repercussões significativas nas alianças regionais e na estratégia nacional dos partidos.