Eduardo Bolsonaro tinha poder financeiro em filme sobre Jair Bolsonaro, diz site; irmão nega
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) teria assinado um contrato que lhe conferia poderes sobre a gestão financeira de um filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação é do site The Intercept Brasil, que obteve documentos que contradizem declarações públicas do ex-parlamentar. Segundo o site, Eduardo atuou como produtor-executivo, com responsabilidade direta sobre o controle de orçamento e decisões estratégicas de financiamento do projeto, inicialmente chamado “O Capitão do Povo”.
O contrato, datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo em janeiro de 2024, o designa, junto ao deputado federal Mario Frias (PL-SP) e à produtora GoUp Entertainment, como produtor-executivo. Essa função, conforme o Intercept, daria aos signatários autoridade para lidar diretamente com a gestão financeira e captação de recursos para a obra audiovisual. Eduardo Bolsonaro, procurado pela Folha, não se manifestou sobre o assunto.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), irmão de Eduardo, negou que o ex-deputado tenha gerido recursos do filme. Em entrevista à CNN, Flávio afirmou que o contrato divulgado é antigo e que Eduardo publicaria um vídeo para esclarecer a situação, reiterando que seu irmão nunca geriu as finanças da produção. A polêmica surge em meio a investigações da Polícia Federal sobre o possível uso de recursos de um banqueiro para custear despesas de Eduardo nos Estados Unidos.
Eduardo Bolsonaro admitiu contrato, mas alega planos alterados
Em vídeo divulgado em suas redes sociais, Eduardo Bolsonaro admitiu ter assinado um contrato com a produtora do filme para a contratação do diretor e que recebeu o cargo de diretoria executiva. No entanto, ele afirmou que os planos mudaram posteriormente. O ex-deputado alegou que o Intercept está realizando um “vazamento seletivo” com o objetivo de “assassinar a reputação de Flávio Bolsonaro”.
Eduardo explicou que assinou o contrato com o cargo para garantir a execução do filme e que enviou US$ 50 mil aos Estados Unidos como garantia para manter o diretor Cyrus Nowrasteh no projeto. Por esse motivo, teria recebido o título de produtor-executivo. Ele declarou que, quando grandes investidores entraram no projeto, ele deixou a função de diretor-executivo, passando a ser apenas um cedente de direitos autorais, e recebeu os US$ 50 mil de volta.
Contrato previa responsabilidade sobre financiamento e investidores
De acordo com o Intercept, os produtores-executivos do filme teriam responsabilidade sobre decisões estratégicas de financiamento, preparação de documentação para investidores e identificação de fontes de recursos. Um aditivo contratual, datado de fevereiro de 2024 e ainda sem confirmação de assinatura, citava Eduardo como “financiador” da produção. Mensagens obtidas pelo site também indicariam Eduardo orientando sobre como enviar recursos para os Estados Unidos, sugerindo que “o ideal seria haver os recursos já nos EUA” e “enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, com o remetente atual”.
Flávio Bolsonaro articulou repasse milionário para o filme
A polêmica envolvendo Eduardo Bolsonaro surge após o Intercept revelar, na quarta-feira (13), que o senador Flávio Bolsonaro articulou com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, o repasse de R$ 134 milhões para financiar a produção do filme. Deste montante, R$ 61 milhões já teriam sido pagos. Um áudio de setembro de 2025 mostra o senador cobrando mais recursos ao banqueiro. Flávio confirmou ter solicitado dinheiro a Vorcaro para o filme, mas negou ter recebido ou oferecido vantagens em troca.
Investigação da PF e orçamento bilionário do filme
A Polícia Federal está apurando se o dinheiro de Vorcaro para o filme teria custeado despesas de Eduardo Bolsonaro nos EUA, para onde ele se mudou em fevereiro de 2025 alegando perseguição do ministro do STF Alexandre de Moraes. Em postagem nas redes sociais, Eduardo negou ter recebido recursos do fundo, classificando a suspeita como “tosca” e afirmando que seu status migratório nos EUA não permitiria tal operação. Mario Frias informou ao Intercept que Eduardo Bolsonaro “não é e nunca foi produtor-executivo” do filme. O orçamento total da produção é estimado entre US$ 23 milhões e US$ 26 milhões, valor que condiz com os US$ 24 milhões negociados por Flávio Bolsonaro com Vorcaro.