Dólar despenca e Bolsa sobe com alívio externo e cautela do Copom
O dólar opera em forte queda nesta terça-feira (5), atingindo a marca de R$ 4,92, menor cotação desde fevereiro. O movimento é impulsionado por um maior apetite global por risco, reflexo da queda nos preços internacionais do petróleo e de notícias que indicam um possível arrefecimento das tensões no Oriente Médio.
Paralelamente, a Bolsa de Valores brasileira avança, acompanhando o otimismo internacional. Analistas também repercutem a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada hoje, que aponta para uma postura de cautela do Banco Central diante das incertezas globais, mas mantém a perspectiva de continuidade no ciclo de corte de juros.
Esses fatores, combinados com a busca por ativos de mercados emergentes, criam um cenário favorável para o real. A ata do Copom, ao indicar cautela, reforça a visão de que o diferencial de juros entre Brasil e EUA tende a permanecer elevado, atraindo investimentos.
Alívio no Oriente Médio e queda do petróleo impulsionam o apetite por risco
O cenário internacional ganhou um tom mais otimista com relatos de que embarcações conseguiram atravessar o estreito de Hormuz sem incidentes, via crucial para o abastecimento global de petróleo. Essa notícia contribuiu para a queda dos preços da commodity, que haviam subido fortemente na véspera devido aos temores de um conflito mais amplo no Oriente Médio.
Por volta das 11h30, o petróleo Brent registrava queda de 2,84%, negociado a US$ 111,25. A passagem segura de um navio da Maersk pelo estreito animou os investidores, que temiam um repique inflacionário global com o encarecimento do petróleo.
Ata do Copom indica cautela, mas mantém porta aberta para cortes de juros
A ata do Copom, divulgada nesta terça-feira, revelou que o comitê do Banco Central avalia o impacto do conflito no Oriente Médio sobre a inflação e as expectativas de longo prazo. Apesar do cenário mais desafiador, o Copom considerou que os eventos recentes não impedem a continuidade do ciclo de queda de juros, mantendo a redução de 0,25 ponto percentual como a mais adequada.
O documento ressalta que as últimas divulgações de inflação, tanto ao consumidor quanto ao produtor, demonstraram efeitos dos conflitos geopolíticos. O colegiado optou por um ajuste conservador, com as projeções de inflação mais distantes da meta de 3%, e não sinalizou abertamente os próximos passos.
Diferencial de juros e fluxo para emergentes sustentam o real
Analistas apontam que a ata do Copom reforça a visão de que a taxa Selic está sendo reprecificada para cima, indicando que juros reais altos devem permanecer por mais tempo. Isso favorece a renda fixa indexada à inflação e exige seletividade na Bolsa, especialmente para ativos menos alavancados.
Márcio Rialba, head da mesa de operações da StoneX, destaca que o dólar opera em queda frente ao real em um ambiente de maior apetite ao risco, com fluxo positivo para emergentes e o diferencial de juros doméstico voltando a pesar. A combinação de um dólar global mais comportado, entrada de recursos para renda fixa local e performance favorável das commodities sustenta o real.
O carry trade, estratégia de captar recursos em economias com juros baixos para aplicar em países com taxas mais elevadas como o Brasil, é citado como um dos principais responsáveis pela alta recente da Bolsa e do real. A leitura de uma política monetária ainda contracionista no Brasil reforça essa modalidade de investimento.