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Bolsonaro depõe por cinco minutos sobre arma apreendida; defesa busca arquivamento do caso

O ex-presidente Jair Bolsonaro prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal nesta terça-feira (23) sobre a apreensão de uma pistola registrada em seu nome, que estava com um de seus seguranças durante uma blitz na semana passada. O depoimento, gravado em vídeo, durou aproximadamente cinco minutos.

Segundo o advogado Paulo da Cunha Bueno, as declarações de Bolsonaro reafirmaram o que já havia sido dito pela defesa anteriormente, sem acrescentar novas informações ou apresentar divergências. A defesa busca demonstrar que não houve intenção de descumprir a lei.

O episódio, no entanto, pode ter um peso significativo na decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, sobre a manutenção da prisão domiciliar do ex-presidente, que expira nesta quinta-feira (25). Conforme informação divulgada pela Folhapress, a investigação ainda aguarda o depoimento do segurança e o laudo pericial da arma.

Defesa alega pedido de conserto e busca arquivamento

A defesa de Jair Bolsonaro afirmou que o ex-presidente solicitou o conserto de uma pistola após constatar uma falha em seu funcionamento. O advogado Paulo da Cunha Bueno declarou que, em momento algum, houve a intenção de infringir qualquer determinação legal e que o episódio é “criminalmente acromático”.

“Aguardamos que o inquérito, em trâmite na Polícia Civil do Distrito Federal, seja, em breve, arquivado”, disse Bueno em nota publicada no X (antigo Twitter). A defesa considera que não há correlação entre o incidente da arma e o fim do prazo da prisão domiciliar.

Pistola Glock apreendida em blitz e questionamentos de Moraes

A pistola Glock de calibre 9 milímetros foi apreendida na noite de 15 de junho com um segurança de Bolsonaro, durante uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal. O ministro Alexandre de Moraes solicitou à defesa explicações sobre a posse da arma e o pedido de conserto às vésperas do fim da prisão domiciliar.

Moraes questionou por que o ex-presidente mantinha uma arma de fogo em casa, com carregador sobressalente, e por que teria solicitado o conserto em um momento tão específico. A defesa respondeu ao Supremo que a entrega do armamento teve como única finalidade buscar auxílio na identificação e realização de manutenção.

Prisão domiciliar e possível violação de medidas cautelares

A prisão domiciliar de Bolsonaro foi concedida temporariamente por 90 dias em março. O caso da arma apreendida pode ser um fator crucial para a decisão de Alexandre de Moraes sobre a continuidade dessa medida. O ministro avalia se houve descumprimento de ordens judiciais, uma vez que a arma foi encontrada com um terceiro a 33 quilômetros da residência do ex-presidente.

A Polícia Militar informou a Moraes que os carros dos seguranças ficam estacionados na rua e não adentram a garagem, o que os isenta de vistorias. A violação de medidas cautelares tem sido um argumento recorrente de Moraes para revogar benefícios em outros casos.

Desconfiança de Moraes aumenta com postura do segurança

A desconfiança do ministro Alexandre de Moraes também foi ampliada pela postura do segurança durante a abordagem na blitz. O policial militar Davi Evangelista Alves relatou que a pistola estava no assoalho do carro e que o motorista, de forma repentina, fechou o vidro ao perceber a ação policial.

A defesa anexou ao processo o certificado de registro da arma, datado de 2019, e alegou que Bolsonaro constatou recentemente um problema no mecanismo do ferrolho. Sem conseguir identificar a causa, entregou a arma a um sargento do Exército com experiência em armamentos para verificação.