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Santander Brasil lucra R$ 3,78 bilhões e CEO elogia Desenrola 2.0 em cenário de endividamento crítico

O CEO do Santander Brasil, Mario Leão, avaliou que o programa Desenrola 2.0, voltado para a renegociação de dívidas de famílias, chega em um momento oportuno. A declaração ocorre em um trimestre em que o banco viu seu lucro líquido cair 1,9% em comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando R$ 3,78 bilhões.

O cenário é marcado pelo aumento da inadimplência e pelo **alto endividamento das famílias brasileiras**, que atingiu um recorde histórico. Leão destacou que o programa do governo está sendo bem desenhado e é essencial para a saúde financeira da população.

“É um timing bom porque as famílias estão endividadas e a renda disponível não está evoluindo. O diagnóstico do governo está absolutamente correto”, afirmou o executivo, ressaltando a necessidade da iniciativa.

Lucro em Queda e Inadimplência em Alta

O lucro líquido gerencial do Santander Brasil no primeiro trimestre de 2026 apresentou uma queda de 1,9% em relação ao mesmo período de 2025, somando R$ 3,788 bilhões. Na comparação com o quarto trimestre de 2025, a retração foi de 7,3%. A rentabilidade do banco, medida pelo ROAE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio), recuou 1,5 ponto percentual, atingindo 16%.

Entre os fatores que influenciaram o resultado, o banco citou menos dias úteis, sensibilidade negativa aos juros e à variação cambial. Além disso, houve um **aumento na provisão contra calotes**, refletindo o cenário de maior endividamento e inadimplência.

A inadimplência geral subiu 0,2 ponto percentual no trimestre e 0,6 ponto percentual no ano, com os atrasos acima de 90 dias alcançando 3,3% da carteira. O índice é ainda maior para pessoas físicas, chegando a 4,9% do crédito.

Desenrola 2.0: Uma Solução Necessária

Mario Leão defende o Desenrola 2.0 como uma medida necessária, e não eleitoreira. Ele explicou que o programa, ao renegociar dívidas com atrasos a partir de 60 dias, pode trazer um efeito positivo para o balanço do banco já no segundo trimestre, aliviando o montante provisionado para perdas e aumentando a receita com quitações.

Dados do Banco Central indicam que o endividamento das famílias brasileiras chegou a 49,9% em fevereiro, renovando o recorde histórico. Essa situação crítica é o que, segundo Leão, torna o Desenrola 2.0 um programa **bastante relevante**.

O CEO também atribuiu o resultado menor a um maior pagamento de impostos. “O resultado teve crescimento orgânico antes do imposto. Paguei bem mais imposto nesse trimestre que no último”, disse a jornalistas.

Gestão de Riscos e Futuro do Banco

A PDD (provisão contra devedores duvidosos) cresceu 3,9% no trimestre, totalizando R$ 6,344 bilhões. O banco informou que, na comparação anual, a queda reflete a gestão de riscos e os efeitos do mix do portfólio.

Leão ressaltou que o banco continua priorizando créditos menos arriscados e evitando clientes de baixa renda com condições específicas. “Não estamos saindo da baixa renda, fazemos redução técnica, cirúrgica, em segmentos da baixa renda em que o Santander não consegue rentabilidade, nos não CLT”, explicou.

O executivo, que deixará o comando do Santander Brasil em julho, expressou confiança em seu sucessor, Gilson Finkelsztain. Leão também projetou que o banco pode superar o ROAE de 20% até 2028, um objetivo que ele considera totalmente factível.

Em paralelo, o Santander anunciou a transferência de sua sede corporativa para um novo prédio na região do Itaim Bibi, em São Paulo, a partir do segundo semestre de 2028. A medida visa reduzir gastos recorrentes e otimizar a integração das equipes.