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Ativistas buscam Copa do Mundo sem publicidade de refrigerantes, citando riscos à saúde e “sportswashing”.

A Copa do Mundo, um dos eventos esportivos mais assistidos globalmente, está sob os holofotes de uma nova campanha que busca eliminar a publicidade de refrigerantes em futuras edições. A iniciativa “Tirem o Refrigerante de Campo” pressiona a FIFA a rever seus contratos de patrocínio, destacando a associação de marcas como a Coca-Cola com competições esportivas.

O cerne da campanha reside na crescente preocupação com a saúde pública, especialmente em relação ao consumo de bebidas açucaradas. A ligação entre refrigerantes e o aumento de doenças crônicas como obesidade e diabetes tipo 2 tem sido o principal motor por trás deste movimento.

Com mais de 100 organizações da sociedade civil de diversos países envolvidas, incluindo entidades brasileiras como o Idec e o Instituto Desiderata, a campanha argumenta que a associação de atletas de futebol com produtos prejudiciais à saúde configura uma prática de “sportswashing”. Conforme informações divulgadas pela campanha, para cada aumento de 250 ml na ingestão diária de bebidas adoçadas, o risco de obesidade cresce 12% e o de diabetes tipo 2, 19%.

Riscos à Saúde e “Sportswashing” em Pauta

A campanha “Tirem o Refrigerante de Campo” alerta para os perigos da associação entre o futebol e o consumo de bebidas açucaradas. Segundo a iniciativa, para a maioria das crianças e adolescentes, um refrigerante de 355 ml já ultrapassa a quantidade diária recomendada de calorias provenientes de açúcares livres. A diretora executiva do Instituto Desiderata, Renata Couto, reforça que essa estratégia de marketing visa fidelizar públicos jovens, moldando comportamentos alimentares não saudáveis com impactos a longo prazo.

Carta Aberta à FIFA e o Conceito de “Maquiagem Esportiva”

Uma carta aberta foi enviada ao presidente da FIFA, Giovanni Infantino, expressando preocupação com o “sportswashing”. O conceito, traduzido como “maquiagem esportiva”, refere-se à prática de marcas de refrigerantes associarem seus produtos a esportes e bem-estar. A carta destaca que, em torneios futuros, bilhões de torcedores, incluindo muitas crianças, estarão expostos a campanhas que ligam estrelas do futebol a bebidas açucaradas associadas a doenças. “Isso é sportswashing: usar o poder do futebol para normalizar produtos prejudiciais à saúde. O futebol merece mais. Os torcedores merecem mais”, afirma o documento.

Histórico de Pressão e Outras Polêmicas de Publicidade

A campanha lembra que a indústria do tabaco enfrentou pressão semelhante e acabou sendo retirada como patrocinadora de eventos esportivos. Um exemplo citado é a Fórmula 1, que nas décadas de 1990 e 2000 reduziu a presença de companhias de tabaco entre seus patrocinadores. Além da questão dos refrigerantes, a Copa do Mundo também tem sido palco de debates sobre a publicidade de plataformas de apostas online, as “bets”, que também têm atraído críticas e levado à implementação de restrições e alertas no Brasil, como “Apostar pode causar dependência” e “Aposta não é investimento”.

Apelo por um Futuro Mais Saudável no Esporte

A iniciativa “Tirem o Refrigerante de Campo” busca inspirar a FIFA a seguir um caminho semelhante ao da indústria do tabaco, priorizando a saúde dos torcedores e a integridade do esporte. A expectativa é que, com a crescente conscientização sobre os riscos à saúde associados ao consumo de bebidas açucaradas, a entidade máxima do futebol mundial reconsidere suas parcerias comerciais para edições futuras da Copa do Mundo.