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Brasil e União Europeia selam parceria estratégica para impulsionar soberania digital e reduzir dependência tecnológica de potências como EUA e China.

Em um movimento geopolítico significativo, o Brasil e a União Europeia assinaram hoje uma Parceria Digital, com o objetivo primordial de fortalecer a soberania tecnológica de ambas as partes. A iniciativa visa criar uma frente unida para garantir maior independência em áreas cruciais da tecnologia, reduzindo a dependência de gigantes como Estados Unidos e China.

A vice-presidente executiva da Comissão Europeia para a Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, Henna Virkkunen, destacou que a busca por autonomia tecnológica é uma prioridade europeia. Ela enfatizou a importância de trabalhar com parceiros confiáveis para assegurar a resiliência das cadeias de suprimentos e manter a liberdade de escolha nas operações tecnológicas.

A assinatura, realizada em Brasília, ocorre em um cenário global de crescente rivalidade entre as duas maiores economias do mundo. Virkkunen ressaltou que o controle sobre tecnologias emergentes confere poder não apenas econômico, mas também geopolítico, tornando a soberania digital um fator determinante para o futuro.

Cooperação Ampliada em Áreas Estratégicas

O novo acordo abrange uma vasta gama de áreas de cooperação, incluindo a governança da inteligência artificial, o desenvolvimento de infraestrutura pública digital, o aprimoramento da conectividade, a proteção de dados e o fortalecimento da indústria de semicondutores. Além disso, a parceria contemplará a inovação tecnológica, computação de alto desempenho e, de forma crucial, a proteção de crianças e adolescentes na internet.

A representante europeia explicou que a União Europeia, embora historicamente aberta a investimentos globais, agora adota uma postura mais cautelosa. “Percebemos que essa cadeia global de suprimentos pode, em alguns casos, ser usada como arma contra nós se dependermos excessivamente de uma única empresa ou país”, afirmou Virkkunen, sublinhando os riscos da excessiva dependência.

Brasil como Parceiro Fundamental

Henna Virkkunen declarou que o Brasil se posiciona como um “parceiro fundamental nesse esforço”. Ela reconheceu o Brasil como uma das maiores economias digitais do mundo e uma voz cada vez mais relevante nas discussões globais sobre tecnologia, o que lhe confere um papel central na definição das tecnologias do futuro.

Com este acordo, o Brasil se junta a um seleto grupo de parceiros digitais da União Europeia, que já inclui Japão, Coreia do Sul, Singapura e Canadá. O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, destacou que essa parceria eleva o status do Brasil nas relações com a UE e ressaltou o potencial do país para atrair investimentos em centros de dados, impulsionado pela vasta oferta de energia renovável.

Busca por Independência e Segurança Tecnológica

A soberania tecnológica, conforme explicou Virkkunen, não se traduz em protecionismo ou isolamento, mas sim em fortalecer a capacidade de inovar, competir e tomar decisões autônomas, mantendo-se aberto ao mundo. A interconexão entre tecnologia e segurança foi enfatizada, tornando a redução da dependência um imperativo estratégico para a Europa.

A cooperação internacional em áreas como inteligência artificial, semicondutores e cibersegurança é vista como essencial. A busca por cadeias de suprimentos resilientes e padrões compartilhados é um pilar para o desenvolvimento tecnológico sustentável e seguro, onde o Brasil se apresenta como um aliado estratégico crucial para a União Europeia.