Bolsonaro define lista de candidatos para eleições de 2024, buscando unificar o eleitorado bolsonarista e evitar “caroneiros”
O ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar, planeja divulgar uma lista com os pré-candidatos que apoiará nas eleições de outubro. A estratégia visa direcionar o voto dos bolsonaristas e conter a ascensão de nomes que não tenham o aval direto do clã, chamados por interlocutores de Bolsonaro de “caroneiros”.
A medida surge como um esforço para mitigar as disputas internas dentro do bolsonarismo, especialmente em estados onde há divergências sobre quem deve receber o apoio do grupo. A lista deve abranger, inicialmente, candidatos ao Senado pelo PL, mas pode se estender a governadores e até mesmo a nomes de outros partidos que recebam o endosso do ex-presidente.
Essa iniciativa, conforme apurado pela Folha de S.Paulo, busca delimitar as opções de voto para os eleitores fiéis a Bolsonaro, garantindo que o apoio se concentre nos candidatos considerados alinhados e abençoados pelo grupo. A coordenação da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) informa que o PL já possui alianças em 22 estados.
Disputas internas e a influência de Michelle Bolsonaro
A divulgação da lista de Bolsonaro se torna ainda mais crucial diante de rivalidades internas, algumas envolvendo nomes indicados pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, presidente do PL Mulher. Em Santa Catarina, por exemplo, a disputa por uma vaga no Senado exemplifica o impasse. Enquanto o PL havia definido o apoio a Carlos Bolsonaro e ao senador Esperidião Amin (PP-SC), Michelle defendeu a candidatura da deputada Caroline de Toni (PL-SC), convencendo o marido a apoiar sua aliada.
Em São Paulo, a polêmica gira em torno da escolha para o Senado. O PL apoiará Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), embora Ricardo Salles (Novo) também se apresente como opção. A escolha de André do Prado, preferido de Valdemar Costa Neto e do governador Tarcísio de Freitas, contou com o aval de Eduardo Bolsonaro, que optou por um nome com mais alinhamento ao centrão, em detrimento de candidaturas mais ideológicas. A lista de Bolsonaro se torna uma aposta para conter críticas internas sobre essa escolha.
Objetivo de Bolsonaro: maioria no Senado e impeachment de ministros do STF
O plano de Bolsonaro vai além de simplesmente apoiar candidatos; o ex-presidente almeja alcançar uma maioria significativa no Senado. Com 54 das 81 cadeiras em disputa neste ano, o objetivo é eleger até 35 senadores aliados. Essa bancada fortalecida permitiria a Bolsonaro articular a maioria necessária para propor o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).
A prisão de Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos por tentativa de golpe de Estado, tem limitado sua atuação política. Desde que passou para a prisão domiciliar, o ex-presidente tem contato restrito, podendo se comunicar apenas com familiares próximos, médicos e advogados. A lista se configura, portanto, como um meio de externar suas vontades eleitorais, antes transmitidas pessoalmente.
Estratégia para conter “caroneiros” e garantir lealdade
A estratégia de divulgar uma lista de apoiados visa, fundamentalmente, **delimitar as opções de voto dos bolsonaristas**. A intenção é evitar que eleitores escolham pré-candidatos de oposição que não foram “abençoados” pelo clã, os chamados “caroneiros”. Essa orientação clara pretende fortalecer a base eleitoral e garantir que o apoio se concentre em nomes considerados leais e alinhados ao projeto político do ex-presidente.
A lista de Bolsonaro é vista como uma ferramenta para resolver conflitos e direcionar o voto em estados como Mato Grosso do Sul, onde três nomes do PL disputam as vagas ao Senado. Um bilhete escrito por Bolsonaro, elogiando o “caráter, honra e dedicação” de um dos candidatos, já sinaliza seu apoio em uma dessas disputas.
Em um cenário onde 50% dos entrevistados afirmam não votar de jeito nenhum em Flávio Bolsonaro, conforme levantamento divulgado nesta segunda-feira, a **definição clara de apoios por parte de Jair Bolsonaro** ganha ainda mais relevância para a coesão e o direcionamento do voto bolsonarista nas próximas eleições.