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Queda expressiva nos preços de alimentos em julho traz alívio, mas riscos climáticos pairam no horizonte

Após uma sequência de seis meses de alta, os preços da alimentação no domicílio apresentaram uma queda de 1,14% em julho em relação a junho, segundo dados do IPCA-15. Essa redução representa o maior recuo para meses de julho em 16 anos, desde 2010, e a mais intensa em quase dois anos.

A melhora nos preços é atribuída principalmente a fatores sazonais, com o aumento da oferta de alimentos devido às melhores condições climáticas para a produção rural no período. Essa maior disponibilidade no mercado tende a pressionar os valores para baixo, beneficiando o consumidor.

A análise de especialistas indica que a queda atual também reflete um efeito de base de comparação, após fortes aumentos registrados no primeiro semestre. O recuo nos custos do óleo diesel também pode ter contribuído para aliviar os preços no setor alimentício. Conforme informação divulgada pelo IPCA-15, o tomate foi um dos grandes responsáveis pela baixa, com queda de 19,95% em julho.

Maior oferta e ‘devolução’ de altas impulsionam queda

Para analistas como Fábio Romão, da consultoria 4intelligence, a queda expressiva nos preços dos alimentos em julho tem forte componente sazonal. A oferta de produtos “in natura” tende a aumentar neste período do ano, o que naturalmente leva a uma diminuição nos valores.

Romão explica ainda que houve uma “devolução” das fortes altas observadas no início do ano. O IPCA-15 registrou avanços superiores a 1% por três meses consecutivos (março, abril e maio), e a queda atual corrige parte desse movimento.

O economista André Braz, do FGV Ibre, corrobora a visão de que a atual redução nos preços se deve à “oferta mais regular de alimentos”. Ele ressalta que, embora itens como tomate e batata tenham caído em julho, seus acumulados anuais ainda são expressivos, com o tomate registrando alta de 63,17% e a batata, de 80,12% até o mês.

El Niño surge como ameaça à estabilidade dos preços

Apesar do alívio momentâneo, os especialistas alertam para os riscos que o fenômeno climático El Niño pode representar para os preços dos alimentos nos próximos meses. O El Niño tem potencial para afetar as temperaturas e a distribuição de chuvas no país, impactando a produção agrícola.

A previsão é que o fenômeno possa atrasar o plantio, reduzir a quantidade e a qualidade das safras e prejudicar a pecuária, gerando pressão inflacionária sobre diversos produtos. Braz alerta que o El Niño pode ser “fora da curva” e “mais forte”, comprometendo as safras futuras.

Romão estima que o impacto do El Niño nos preços do varejo possa ser sentido a partir do último trimestre deste ano e início de 2027. Além disso, ele prevê uma possível alta nos preços da carne até o final do ano, revertendo a recente queda de 0,34% registrada em julho, em parte devido ao recuo nas compras chinesas.

Queda em julho: veja os números

O tomate liderou a queda em julho, com recuo de 19,95%, impactando em 0,07 ponto percentual o IPCA-15. A batata-inglesa veio em seguida, com redução de 10,03%, correspondendo a 0,03 ponto percentual de impacto.

Apesar da queda mensal, o tomate acumula alta de 63,17% no ano até julho, e a batata, de 80,12%. As carnes, por sua vez, tiveram recuo de 0,34% no IPCA-15 em julho, refletindo a queda do preço do boi gordo e uma menor demanda internacional.