Boulos critica compensação a empresas pelo fim da escala 6×1 e defende jornada mais humana
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, manifestou forte oposição à possibilidade de compensações financeiras para empresas com o fim da escala 6×1, que impõe seis dias de trabalho consecutivos com apenas um de descanso. A proposta, que também visa reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, tem gerado debates acalorados.
Boulos comparou a ideia de compensar empresários a oferecer benefícios quando o salário mínimo é reajustado, uma proposta que, segundo ele, seria alvo de chacota. Ele questiona a lógica de que o próprio trabalhador, através de impostos, deveria financiar essas compensações.
Durante uma audiência pública sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala 6×1, Boulos reforçou seu ponto de vista. Ele enfatizou que a redução da jornada e a garantia de dois dias de descanso por semana são questões de **dignidade humana**, que não deveriam ser partidárias, mas sim defendidas por todas as forças políticas do país.
A “escala desumana” e o impacto na vida dos trabalhadores
Rick Azevedo, fundador do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e vereador no Rio de Janeiro, compartilhou sua experiência pessoal de 12 anos trabalhando em diversas funções sob a escala 6×1. Ele descreveu a jornada como “desumana” e relatou a sensação de não se sentir pertencente à sociedade.
Azevedo também criticou a ideia de **período de transição** e compensações para empresários. Para ele, o fim da escala 6×1, que vigora desde a criação da CLT, já deveria ter acontecido há tempos, dada a urgência da pauta na sociedade desde 2023.
Avanços na PEC e PL para a redução da jornada
Em reunião entre ministros do governo Lula e lideranças da Câmara dos Deputados, foi acordado que a PEC do fim da escala 6×1 proporá uma alteração constitucional para garantir o **descanso remunerado de dois dias por semana**, com a adoção da escala 5×2, e a redução da jornada para 40 horas semanais.
Além da PEC, um projeto de lei (PL) com urgência constitucional, enviado pelo presidente Lula, também será aprovado para agilizar a matéria. O PL abordará temas específicos de algumas categorias e servirá para ajustar a legislação atual à nova PEC.
Definição sobre compensações e transição ainda pendente
Ainda resta definir se haverá alguma forma de **compensação para os empresários** e se será estabelecido um período de transição para a implementação das novas regras. A decisão final sobre esses pontos, segundo o deputado federal Alencar Santana (PT-SP), presidente da comissão especial da PEC, ainda está em aberto.
O debate sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho avança no Congresso Nacional, com fortes argumentos de ambos os lados, mas com a **defesa clara de Boulos e Azevedo por condições de trabalho mais dignas** e humanas para os brasileiros.