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Mercados em Alerta: Crise no Oriente Médio Provoca Fortes Oscilações no Dólar e na Bolsa Brasileira

O cenário global de incertezas ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (3), com a escalada de tensões no Oriente Médio impactando diretamente os mercados financeiros. O dólar comercial registrou uma alta expressiva, atingindo R$ 5,26, enquanto a Bolsa de Valores brasileira (Ibovespa) sofreu a maior queda do ano, recuando mais de 3%. A busca global por ativos considerados mais seguros impulsionou essa volatilidade.

O agravamento do conflito envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, com reflexos em países como Líbano e nações do Golfo, gerou apreensão. O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, rota crucial para o transporte de petróleo, e a suspensão da produção de gás natural liquefeito pelo Catar, aumentaram o temor de desabastecimento energético global.

Essa conjuntura de instabilidade global, conforme divulgado pela Reuters, levou investidores a venderem ações e a buscarem a segurança do dólar. A queda generalizada nas bolsas internacionais, incluindo Ásia, Europa e Estados Unidos, reflete o pessimismo que tomou conta dos mercados. O índice DXY, que mede a força do dólar frente a outras moedas fortes, apresentou alta.

Impacto Direto no Bolso do Brasileiro: Dólar em Alta e Juros em Foco

A moeda americana encerrou o dia vendida a R$ 5,261, com uma valorização de 1,87%. A cotação chegou a ultrapassar os R$ 5,34 durante o pregão, atingindo o maior nível desde o final de janeiro. Em meio a essa volatilidade, o Banco Central chegou a anunciar, e depois cancelar, leilões de linha de dólares, alegando ter sido um teste interno.

O mercado de ações não ficou imune à turbulência. O Ibovespa fechou o pregão em queda de 3,27%, aos 183.104 pontos, tocando a mínima do dia aos 180.518 pontos. Quase todos os papéis que compõem o índice registraram perdas, afastando-se dos patamares recordes recentes.

Commodities Disparam e Preocupações com Inflação Aumentam

A escalada no Oriente Médio provocou um forte aumento nos preços do petróleo e do gás natural. O barril do tipo Brent subiu mais de 4%, enquanto o gás natural na Europa avançou 22%. Essa alta nas commodities energéticas intensifica as preocupações com a inflação global e um possível cenário de desaceleração econômica mundial.

PIB Brasileiro Mostra Desaceleração e Juros Podem Ter Nova Redução Menor

No cenário doméstico, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 2,3% em 2025. Apesar da expansão anual, o quarto trimestre de 2025 apresentou uma alta modesta de apenas 0,1%, indicando uma perda de fôlego da economia. O crescimento de 2025 foi inferior aos 3,4% registrados em 2024.

Diante do cenário de incertezas globais e da desaceleração econômica interna, o Banco Central pode optar por um corte menor na Taxa Selic. A expectativa atual é de uma redução de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em contraste com a expectativa anterior de 0,5 ponto. Juros mais altos auxiliam no controle do dólar, mas podem frear o crescimento econômico.