Avaliação de Lula segue estável apesar de tarifas de Trump, aponta Datafolha
A gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstra **estabilidade** em sua avaliação popular, conforme revela a mais recente pesquisa divulgada pelo Datafolha. Mesmo diante do recente anúncio de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, os índices de aprovação e desaprovação do governo mantiveram-se inalterados.
A pesquisa, que entrevistou 2.004 pessoas em 139 cidades entre os dias 22 e 23 de maio, com margem de erro de dois pontos percentuais, indica que 38% dos entrevistados consideram a administração ruim ou péssima. Por outro lado, 32% a veem como ótima ou boa, e 28% a classificam como regular.
Esses resultados espelham os levantamentos de maio e junho, sugerindo que o principal embate recente do governo no cenário internacional, a nova rodada de sobretaxas americanas, ainda não impactou a percepção pública. A medida, anunciada em 15 de maio, foi justificada por investigações americanas sobre práticas comerciais brasileiras e posteriormente reforçada com acusações relacionadas a trabalho análogo à escravidão.
Impacto das tarifas americanas ainda incerto na campanha eleitoral
Na primeira ocasião em que tarifas americanas foram associadas a movimentos políticos, visando influenciar o Supremo Tribunal Federal em um caso envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula havia colhido benefícios de uma campanha nacionalista. Entre julho e setembro do ano passado, o índice de aprovação ótima ou boa para o presidente saltou de 29% para 33%, patamar que se manteve até o presente momento.
Agora, resta analisar se o uso das novas tarifas americanas como ferramenta de campanha eleitoral contra o filho de Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, terá algum efeito perceptível nos índices de popularidade. O governo Lula busca capitalizar politicamente em meio a esse cenário, mas a pesquisa atual não reflete qualquer mudança significativa.
Aprovação e desaprovação do governo mantêm-se em equilíbrio
O índice de aprovação geral do governo Lula permaneceu praticamente o mesmo, oscilando de 48% para 49% entre junho e a pesquisa atual. Paralelamente, a desaprovação apresentou uma variação inversa, caindo de 49% para 48%. Essa estabilidade indica uma consolidação da opinião pública em relação à gestão federal.
Ao longo de seu terceiro mandato, iniciado em 2023, o governo Lula experimentou uma variação notável em seus índices de avaliação. Entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, houve uma queda acentuada nos índices de ótimo/bom, de 35% para 24%, atingindo o menor patamar de todos os seus governos. Essa crise foi marcada por diversas polêmicas, incluindo a discussão sobre a taxação de transações via Pix, sistema que hoje está no centro das reclamações americanas por supostamente prejudicar empresas de cartão de crédito dos EUA.
Perfil demográfico da avaliação do governo Lula
A pesquisa Datafolha também detalha a avaliação do governo Lula em diferentes segmentos da população. O governo é **mais malvisto entre homens (43% de ruim/péssimo)**, moradores da região Sul (46%), pessoas com ensino superior (48%) e evangélicos (51%). Esses dados coincidem com os registros de intenção de voto nesses mesmos grupos.
Por outro lado, a avaliação positiva do governo se sobressai entre católicos (38%), os mais pobres (39%), indivíduos com mais de 60 anos (42%), nordestinos (45%) e aqueles com menor nível de instrução (46%). Tais índices também acompanham a tendência de preferência eleitoral observada nesses segmentos.
Prioridades dos brasileiros: saúde, segurança e economia no topo
O levantamento do Datafolha também abordou as principais preocupações dos brasileiros, com resultados similares aos da pesquisa anterior. A **saúde lidera as preocupações com 21%**, seguida pela segurança pública com 19% e a economia com 14%. Outros temas como corrupção (9%), educação (8%) e desemprego (5%) aparecem em seguida, demonstrando as prioridades da população.