Alckmin descarta retaliação direta contra tarifas americanas, priorizando negociação e diversificação de exportações brasileiras
O vice-presidente Geraldo Alckmin declarou que o governo do presidente Lula não pretende retaliar os Estados Unidos em resposta ao recente “tarifaço” imposto sobre produtos brasileiros. A decisão sinaliza uma mudança de rota em relação à postura inicial do governo, que cogitava acionar a Lei de Reciprocidade.
Alckmin enfatizou que a estratégia do Brasil será a busca por soluções diplomáticas e a exploração de novos mercados para os produtos nacionais. A declaração foi feita após uma reunião com representantes de setores afetados pelas novas tarifas americanas.
A medida, que entra em vigor nesta quarta-feira (22), impõe taxas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros. Conforme informações divulgadas pela FOLHAPRESS, o governo brasileiro busca evitar um ciclo de “olho por olho, dente por dente”, preferindo focar em negociações e na correção das injustiças comerciais.
Brasil busca corrigir “injustiça” e abrir novos mercados internacionais
O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou as tarifas impostas pelos Estados Unidos como “injustas” e ressaltou que um dos principais objetivos do governo será a **diversificação de mercados** para os produtos brasileiros. Ele citou acordos em andamento com a União Europeia, Singapura, Japão, México e Índia como parte dessa estratégia.
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) já anunciou um plano de diversificação de mercados no valor de R$ 130 milhões, a ser lançado em agosto. O objetivo é mitigar os impactos do “tarifaço” e reduzir a dependência do mercado americano.
Ministério mapeia impactos e busca apoio para setores prejudicados
O ministro do Ministério da Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, informou que o governo está mapeando as contrapartes americanas que podem auxiliar na negociação para a redução das taxas. Além disso, está sendo feito um levantamento detalhado dos impactos na geração de empregos e nos lucros das empresas brasileiras.
A orientação do presidente Lula é que a equipe econômica converse com todos os segmentos da indústria nacional afetados e continue as negociações. Não há prazo definido para o anúncio de novas medidas, e a decisão final caberá ao presidente. O ministro destacou que, apesar de considerar as tarifas “injustas, descabidas e indevidas”, o governo adotará todas as medidas para socorrer os setores necessitados.
Nova rodada de tarifas americanas está sob análise do governo brasileiro
O Brasil aguarda, para esta semana, a decisão do governo dos Estados Unidos sobre uma possível nova rodada de tarifas, desta vez de 12,5%, baseada em investigação sobre trabalho forçado. Essa nova tarifa deve substituir as sobretaxas de 10% com base na Seção 122, que expiram no final de julho.
Elias Rosa afirmou que o governo está atento para saber se os 12,5% serão cumulativos aos 25% já existentes, o que “desvendará um novo cenário”. As reuniões com representantes de setores como o automobilístico, de máquinas e equipamentos, plástico, têxtil e de confecção, entre outros, continuam para coletar dados e sugestões.
“Tarifaço” afeta bilhões em exportações brasileiras
Segundo cálculos do governo, o “tarifaço” americano afeta aproximadamente 18% das exportações brasileiras para os EUA, totalizando cerca de US$ 7,4 bilhões (R$ 38 bilhões). Setores como o da madeira sentirão o impacto com mais força, vendo 81% de suas exportações atingidas, de acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A nova rodada de tarifas também prejudicará significativamente as exportações de minerais não metálicos (56%), químicos (51%) e alimentos (38%) para os Estados Unidos. O governo segue empenhado em mitigar esses efeitos e buscar soluções para as empresas brasileiras.