Ministro José Guimarães acusa Flávio Bolsonaro de desespero e de agir como lobista dos EUA
O ministro de Relações Institucionais, José Guimarães, fez duras críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, nesta quinta-feira (16). Segundo Guimarães, Flávio Bolsonaro estaria em estado de desespero devido ao escândalo envolvendo o Banco Master e agindo como um lobista em favor dos Estados Unidos no Brasil.
As declarações surgiram em resposta a afirmações do senador, que culpou o presidente Lula pelo novo tarifaço imposto pelos EUA. Guimarães considera que as falas de Flávio Bolsonaro expõem sua ligação com Daniel Vorcaro e Sicário, figuras centrais nas investigações do Banco Master.
A polêmica se intensifica com a divulgação de uma foto de Flávio Bolsonaro ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, apontado pela Polícia Federal como chefe de uma milícia privada. A situação joga luz sobre as conexões do senador e levanta questionamentos sobre sua atuação política e seus interesses.
Escândalo do Banco Master e conexões perigosas
O ministro José Guimarães destacou que o desespero de Flávio Bolsonaro estaria diretamente ligado ao escândalo do Banco Master e suas conexões com Daniel Vorcaro e Sicário. O senador teria buscado financiamento de Vorcaro para um filme sobre Jair Bolsonaro, encontrando o ex-banqueiro enquanto este utilizava tornozeleira eletrônica.
A aparição de Flávio Bolsonaro ao lado de Sicário, figura ligada a investigações policiais, intensifica as suspeitas sobre o senador. Sicário, segundo a PF, morreu em março após cometer suicídio em uma cela policial em Minas Gerais, aumentando a gravidade das associações apontadas pelo ministro.
Flávio Bolsonaro como “lobista” dos EUA no Brasil
Guimarães também criticou movimentos de aliados de Flávio Bolsonaro, como Eduardo Bolsonaro, que estariam agindo para criar atritos entre o governo americano e a gestão Lula. O ministro afirmou que o pré-candidato e sua família têm se comportado como “lobistas de negócios dos Estados Unidos no Brasil”.
A estratégia de Flávio Bolsonaro de culpar Lula pelo tarifaço americano é vista por Guimarães como uma tentativa de desviar o foco de suas próprias ligações e de sua atuação em favor de interesses estrangeiros, em detrimento dos interesses nacionais.
Tarifaço americano e a campanha eleitoral
O novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos promete ser um tema central na campanha eleitoral, dada a proximidade do bolsonarismo com o presidente americano. Em 2025, Donald Trump já havia associado medidas semelhantes ao julgamento que condenou Jair Bolsonaro por tentativa de golpe.
Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos, tem sido ativo em sua atuação junto ao governo americano contra a gestão Lula. Flávio Bolsonaro, por sua vez, chegou a solicitar às autoridades americanas o adiamento da decisão sobre as tarifas, argumentando que a imposição de taxas fortaleceria Lula eleitoralmente.
Acusações de “traição da pátria” e defesa do Pix
O grupo político do presidente Lula busca enquadrar Flávio Bolsonaro e seus aliados como “traidores do Brasil”. Guimarães ecoou esse raciocínio, acusando o senador de conspirar contra o próprio país.
O ministro defendeu o Pix, mecanismo de pagamentos brasileiro atacado pelos EUA, e criticou Flávio Bolsonaro por não defender a economia nacional. “Flávio Bolsonaro é um traidor da pátria, que conspira contra o seu próprio país. Em vez de defender o Pix, a economia nacional, os empregos e os trabalhadores brasileiros, prefere atuar como vassalo dos interesses econômicos dos EUA no Brasil”, declarou Guimarães.
Guimarães ainda alertou que a postura de Flávio Bolsonaro prejudica o país e até mesmo seus próprios eleitores, que não aceitam o tarifaço. “O Flávio vai ter uma campanha maculada por essas atitudes irresponsáveis dele para com o Brasil. Não tem compromisso nenhum com a democracia nem com a soberania”, concluiu o ministro.