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PF Investiga SÓSTENES CAVALCANTE: Compra de Imóvel Suspeita de Não Ter Origem Comprovada de Recursos

A Polícia Federal (PF) levantou sérias inconsistências financeiras e a ausência de lastro bancário na transação imobiliária utilizada pelo deputado SÓSTENES CAVALCANTE (PL-RJ) para justificar os R$ 468 mil em espécie apreendidos em sua residência no final do ano passado. Essa descoberta é o foco de uma nova operação que mira pessoas e empresas ligadas ao parlamentar.

A investigação aponta para “movimentações incompatíveis com a renda ostensiva do suposto comprador”, indicando uma possível tentativa de ocultar a origem dos valores. A operação desta quarta-feira (1º) é mais um desdobramento da Operação Rent a Car, que investiga o desvio de recursos públicos de cotas parlamentares.

As apurações buscam aprofundar a compreensão sobre a movimentação e destinação de recursos supostamente desviados, envolvendo crimes como peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Conforme informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, o deputado SÓSTENES CAVALCANTE ainda não se manifestou sobre os desdobramentos da investigação.

Nova Fase da Operação Rent a Car Atinge Aliados do Deputado SÓSTENES CAVALCANTE

A nova fase da operação cumpriu seis mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais. Entre os alvos está o advogado Thiago Ferreira de Paula, a quem SÓSTENES CAVALCANTE apontou como comprador de uma casa que seria a origem do dinheiro vivo apreendido. Durante as buscas, a PF apreendeu cerca de R$ 160 mil em espécie, além de dólares, celulares, notebooks e relógios de luxo. Em alguns endereços, o dinheiro foi encontrado escondido em livros falsos.

A Escritura da Venda e a Suspeita de “Narrativa Documental”

Um ponto crucial na investigação é o fato de que a escritura de venda do imóvel em Ituiutaba (MG) foi assinada em cartório apenas em 30 de dezembro, quase duas semanas após a apreensão do dinheiro pela PF, em 19 de dezembro. A PF considera essa formalização tardia uma “narrativa documental destinada a conferir lastro formal a uma alegada transação pretérita”, ou seja, uma tentativa de justificar a origem do dinheiro após a apreensão.

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que não foi identificado saque de valores contemporâneos à data da compra em nome de Thiago de Paula. Pelo contrário, o Coaf apontou um “quadro financeiro atípico”, com movimentações que representaram cerca de 17,76 vezes a renda cadastrada do titular, superando em aproximadamente R$ 608.754,30 a capacidade declarada.

Desvio de Cotas Parlamentares e Empresas Suspeitas na Mira da PF

A Operação Rent a Car, iniciada no final do ano passado, investiga suspeitas de que uma empresa de locação de veículos, paga com cotas parlamentares, continuou recebendo valores mesmo após sua dissolução irregular. A PF identificou uma rede de empresas com “movimentações financeiras complexas, recebimento de verbas públicas, saques expressivos em espécie e estrutura societária compartilhada”, que podem estar ligadas ao esquema. A identificação dos alvos foi feita a partir de etiquetas bancárias apreendidas com os valores.

SÓSTENES CAVALCANTE Já Acusou Perseguição Política

Em dezembro, quando o dinheiro foi apreendido, SÓSTENES CAVALCANTE declarou à imprensa que era vítima de perseguição por ser de direita e que o dinheiro em sua posse se referia à venda do imóvel. A PF, no entanto, sustenta que a atual fase da operação visa aprofundar as apurações sobre a movimentação e destinação de recursos, apurando suspeitas de crimes como peculato, lavagem de dinheiro, fraude processual e organização criminosa. O deputado Carlos Jordy (PL-RJ), também alvo em fases anteriores, classificou a ação da PF como “covarde”.