Ancelotti ainda trava batalha com o português antes da Copa do Mundo 2026, diz professor
Enquanto se prepara para comandar a seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026, Carlo Ancelotti, 67, enfrenta um desafio fora dos gramados: o aprendizado da língua portuguesa. Segundo Roberto Piantino, professor que acompanhou a adaptação do treinador, o idioma ainda apresenta obstáculos, com forte influência de outras línguas que ele domina.
Piantino explica que a semelhança entre italiano, espanhol e português faz com que um idioma se sobreponha ao outro, gerando misturas involuntárias. Apesar da evolução notável desde julho de 2025, quando iniciou os estudos, Ancelotti ainda demonstra essas influências em seu vocabulário e pronúncia.
O professor detalha que o treinador demonstrava dificuldade em palavras terminadas em “ão”, um som nasal inexistente em italiano e espanhol. Termos comuns no futebol, como “seleção”, “campeão” e “decisão”, exigem atenção especial. Conforme informação divulgada pela Folhapress, o professor Roberto Piantino elogia o progresso do treinador, mas ressalta que ele ainda tem dificuldades em verbalizar palavras terminadas em ‘ão’ e usa termos do espanhol e do italiano.
Desafios na pronúncia e vocabulário
Um dos exemplos citados por Piantino é a palavra “posso”. Ancelotti costumava misturar a versão portuguesa com a espanhola “puedo”. “Eu já percebi que isso melhorou. Antes ele falava uma mistura de ‘posso’ com ‘puedo’. Agora fala ‘posso’ corretamente”, afirma o professor.
Outro ponto de dificuldade são as palavras terminadas em “ão”. “As palavras terminadas em ‘ão’ são sempre um pouco mais difíceis de pronunciar para estrangeiros, porque esse som não existe nem no italiano nem no espanhol”, explica Piantino. Ele menciona que termos como “seleção”, “campeão” e “decisão” estão entre os que mais exigem concentração.
Influências do espanhol e italiano no dia a dia
As interferências do espanhol também se manifestam em situações cotidianas. Ancelotti, por exemplo, tende a usar “equipo” em vez de “time”. A palavra “ano” por vezes se transforma em “año”, e o verbo “esquecer” ainda não está totalmente consolidado, levando-o a usar “olvidar”, similar ao italiano “obliare”.
No vocabulário futebolístico, o treinador italiano também recorre a expressões espanholas. Piantino relata que, ao falar de um gol sofrido, Ancelotti frequentemente utiliza “gol encajado”. Até mesmo a formação de plurais pode gerar confusão, com a tendência a seguir a lógica do espanhol, como “goles” ou “materiales” em vez de “gols” e “materiais”.
Evolução com imersão e aulas de futebol
Apesar dos tropeços linguísticos, Piantino avalia o aluno de forma positiva: “Ótimo. Dedicado, tranquilo, pontual e comprometido”. Ele conta que Ancelotti participava das aulas até aos sábados e raramente se atrasava, demonstrando grande empenho.
Nos últimos meses, Ancelotti priorizou a imersão, diminuindo as aulas formais. “Ele percebeu que o contato diário com as pessoas já estava ajudando bastante. O fato de passar mais tempo no Rio de Janeiro também contribuiu para a evolução”, comenta o professor.
Além das lições de português, os encontros também envolviam discussões sobre futebol. Piantino compartilhava suas opiniões sobre jogadores e estratégias, o que Ancelotti recebia com naturalidade. “Às vezes ria, outras reagia normalmente. Nunca teve problema em ouvir opiniões”, garante o professor.
Apesar de ainda não dominar completamente o português, Ancelotti parece ter absorvido uma característica brasileira: a paixão por dar opinião sobre a Seleção, algo que nem mesmo o professor de português escapa.