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Tentativa frustrada de colaboração premiada de Daniel Vorcaro causa racha na equipe de defesa e irrita investigadores

A negociação de uma colaboração premiada por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, resultou em um cenário de crise, tanto nas relações com as autoridades quanto dentro de sua própria equipe de defesa. Investigadores consideraram a proposta apresentada como frágil e afirmaram categoricamente que não aceitarão “mentiras” por parte do investigado.

Um dos principais focos de desavença gira em torno da relação de Vorcaro com o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP. Fontes envolvidas nas negociações, que pediram para não ser identificadas, relataram que o ex-banqueiro ainda não apresentou explicações convincentes sobre o tema, apesar de já haver material colhido de forma independente pelas autoridades.

Conforme apurado pela Folha de S.Paulo, a fragilidade dos relatos de Vorcaro até o momento provocou uma ruptura significativa, levando à saída de seu advogado anterior, José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca. A situação é delicada, pois para que uma delação funcione, o investigado precisa estar disposto a revelar informações relevantes e, crucialmente, a dizer a verdade.

Relação com Ciro Nogueira no centro da discórdia

Apesar de a investigação já ter alcançado o senador Ciro Nogueira, Vorcaro insiste em afirmar, segundo interlocutores, que sua relação financeira com o parlamentar se deu apenas por amizade. O senador, por sua vez, nega qualquer irregularidade, declarando após ser alvo de uma operação no mês passado: “Nunca recebi nenhum valor ilícito ou cometi qualquer irregularidade que seja, nesse caso ou em qualquer outro”.

Diante desse impasse, pessoas próximas às negociações apontam que a delação é uma prerrogativa da defesa, mas exige que o ex-banqueiro esteja genuinamente disposto a colaborar e a apresentar informações verdadeiras. A falta de novidades e de indicação de outros envolvidos levou a Polícia Federal (PF) a rejeitar, pela segunda vez, a proposta de colaboração premiada de Vorcaro.

Advogado de defesa deixa o caso após desentendimentos

A fragilidade dos relatos de Daniel Vorcaro também gerou um conflito direto com seu advogado anterior. José Luis Oliveira Lima, o Juca, deixou o caso em 22 de maio, após uma discussão com o ex-banqueiro. Lima teria expressado a pessoas próximas que Vorcaro ainda não compreendia a gravidade da sua situação atual.

Procurado, Oliveira Lima optou por não se manifestar. A atual defesa de Vorcaro ainda não comentou o caso. A saída de Juca ocorreu após uma série de desentendimentos, incluindo um embate com o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Mendonça demonstrou aborrecimento com os rumos da negociação, e o advogado chegou a mencionar a possibilidade de recorrer à Segunda Turma da corte, o que poderia gerar um empate e favorecer Vorcaro.

PF suspeita de pagamentos mensais ao senador Ciro Nogueira

Entre as principais suspeitas da PF, está a de que o senador Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil, recebia quantias repassadas por Felipe Vorcaro, primo de Daniel. As investigações indicam pagamentos mensais que teriam começado em R$ 300 mil e, posteriormente, poderiam ter aumentado para R$ 500 mil. Felipe Vorcaro chegou a ser preso temporariamente.

Para que um acordo de delação seja firmado, é fundamental que o investigado confesse crimes, apresente provas concretas e aponte outros envolvidos, incluindo figuras importantes como dirigentes e políticos. A PF argumenta que ainda há um vasto material a ser analisado, oriundo de buscas, apreensões e quebras de sigilo, indicando que a operação está longe de sua conclusão.

Vorcaro preso desde novembro, equipe de defesa encolhe

Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro, no Aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar para o exterior. A PF suspeita que ele tentava fugir do país, mas ele alega que viajava para encontrar investidores interessados em adquirir o Banco Master. Desde então, ao menos três advogados renomados deixaram sua equipe de defesa, sinalizando as dificuldades enfrentadas.

A estratégia agressiva para tentar suspender a liquidação do banco, antes conduzida por Walfrido Warde, um dos primeiros advogados a deixar a equipe, também não obteve sucesso. A saída de Pierpaolo Bottini e Roberto Podval também contribuiu para o encolhimento da equipe de defesa de Vorcaro, que agora enfrenta um cenário ainda mais complexo com a rejeição de sua delação.