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Janja responde a Silas Malafaia com duro ataque após críticas a encontros com mulheres evangélicas

A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, reagiu com veemência às declarações do pastor Silas Malafaia, que minimizou os encontros de Janja com mulheres evangélicas, classificando-as como “sem um pingo de expressão no mundo evangélico”. Em sua resposta, Janja não poupou críticas ao pastor, chamando-o de “insignificante” e defendendo o valor de todas as mulheres.

A declaração de Janja ocorreu durante o IV Encontro de Evangélicos e Evangélias do PT, realizado na sede do partido. A plateia presente aplaudiu as palavras da primeira-dama, que ressaltou a importância de cada mulher, independentemente de sua expressão religiosa ou social. Janja também afirmou que não se refere a Malafaia como pastor, alinhando-se a críticas anteriores feitas por militantes.

A iniciativa de Janja em se aproximar do público evangélico feminino faz parte de uma estratégia do PT para ampliar sua base de apoio. Os evangélicos representam uma parcela significativa do eleitorado brasileiro, com quase um terço da população, sendo mais da metade mulheres, de acordo com o Censo do IBGE de 2022. O partido busca superar as dificuldades em atrair votos desse segmento, que majoritariamente apoia candidaturas alinhadas ao bolsonarismo, como a de Flávio Bolsonaro, apoiado por Malafaia.

Esforço do PT para conquistar o voto evangélico

O Partido dos Trabalhadores tem intensificado seus esforços para se reconectar com a comunidade evangélica, um eleitorado que historicamente apresenta desafios para a legenda. Apesar de o presidente Lula não ter comparecido à Marcha para Jesus, alegando não querer tirar proveito político da fé, o ministro Jorge Messias, evangélico, foi escalado para representar o governo no evento. Em contraste, Flávio Bolsonaro marcou presença e discursou.

Lula e a estratégia de diálogo com evangélicos

Janja destacou que, embora Lula seja católico e sinta falta de ir à missa, o presidente não deseja transformar a igreja em um palco político. Contudo, ela ressaltou a importância de o PT não se ausentar do debate religioso, argumentando que “se não usar da forma correta, eles usam”. A primeira-dama enfatizou a necessidade de o partido voltar a dialogar dentro das igrejas, reconhecendo que “somos nós, mulheres, que vamos decidir essa eleição”.

Autocrítica e busca por novas narrativas

Em sua análise, Janja admitiu que o PT se isolou das igrejas e que é preciso “vestir uma carapuça que não é nossa”. Ela propôs uma mudança de abordagem, sugerindo que a disputa de narrativas deve ocorrer “em todos os espaços”. A primeira-dama também fez uma autocrítica, afirmando que tem buscado entender os obstáculos que mulheres evangélicas enfrentam no “campo progressista”, defendendo que as dificuldades enfrentadas por mulheres em seus territórios são as mesmas, independentemente de rótulos como “esquerda” ou “direita”.

Edinho Silva reforça estratégia de aproximação

O presidente do PT, Edinho Silva, ecoou a linha de Janja, coordenando esforços para construir uma nova estratégia de aproximação com o segmento evangélico. O Núcleo Evangélico do PT tem sido um ponto central nas reuniões para traçar esses caminhos. Até mesmo termos que ressoam positivamente com os evangélicos têm sido incorporados aos discursos de Lula e de outros dirigentes petistas, como a referência a Maria Madalena como figura central no Evangelho.

Edinho Silva utilizou citações bíblicas para reforçar a mensagem do partido, comparando a próxima eleição a uma decisão entre “o caminho das armas e o do Evangelho”, onde este último oferece “vida em abundância”. Essa estratégia visa a dialogar com valores e crenças do eleitorado evangélico, buscando reverter o cenário atual de apoio majoritário ao bolsonarismo.