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Eduardo Bolsonaro, o filme “Dark Horse” e as investigações da PF sobre repasses de dinheiro para os EUA

Novas mensagens divulgadas pelo Intercept Brasil jogam luz sobre as negociações envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. As conversas indicam que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro teria orientado sobre a melhor forma de enviar recursos financeiros para os Estados Unidos, visando a produção cinematográfica.

As informações apontam para uma conexão entre Eduardo Bolsonaro, o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e Thiago Miranda, sócio do Portal Leo Dias. A Polícia Federal já investiga repasses ligados a Vorcaro e a possibilidade de um fundo no Texas ter sido utilizado para custear a permanência de Eduardo no país americano.

O caso ganha contornos mais complexos diante do cenário em que Eduardo Bolsonaro reside nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado, após o Supremo Tribunal Federal (STF) bloquear contas e dificultar recebimentos no exterior. A investigação busca entender se parte dos valores negociados para o filme foi desviada para fins pessoais do ex-deputado.

Detalhes das conversas sobre remessas financeiras

Nas mensagens obtidas pelo Intercept, Eduardo Bolsonaro expressa preocupação com a logística de envio de dinheiro do Brasil para os EUA. Ele sugere que o ideal seria ter os recursos já disponíveis em solo americano, pois transações entre empresas brasileiras e os EUA, sem um orçamento prévio definido, poderiam se tornar problemáticas e demoradas.

“O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Dos EUA para os EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira enviar aos EUA sem aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático. Vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isso demoraria cerca de seis meses, calculamos”, teria escrito Eduardo em uma das mensagens.

Em outro trecho, o ex-deputado demonstra certa urgência, questionando a possibilidade de agilizar o processo: “Meu receio é que você seja solícito, bom coração, mas tenha essa dificuldade. Solução: enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, com o remetente atual etc. Será que conseguimos?”

Fundo no Texas e a ligação com o ex-deputado

As investigações da PF apontam que um fundo sediado no Texas, chamado Havengate Development Fund LP, pode ter recebido parte dos R$ 134 milhões negociados para o filme. Este fundo teria como um de seus controladores o corretor de imóveis Altieris Santana, que, segundo o Intercept, se colocou à disposição para se reunir com qualquer pessoa interessada. Paulo Calixto, advogado apontado como ligado a Eduardo Bolsonaro, também seria um dos controladores do fundo.

A empresa Entre Investimentos e Participações, que mantinha parcerias com negócios ligados a Daniel Vorcaro, teria realizado transferências para esse fundo. Essa conexão levanta suspeitas sobre o uso dos recursos destinados à produção do filme “Dark Horse” para cobrir despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Residência de Eduardo Bolsonaro nos EUA e a investigação da PF

Eduardo Bolsonaro reside em uma casa em Southlake, no Texas. O imóvel, que pertence ao Bunce Family Trust, esteve anunciado para aluguel por cerca de R$ 30 mil mensais até fevereiro de 2025. A Polícia Federal, conforme noticiado pelo Estadão, investiga as negociações entre Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro, que teria solicitado recursos ao banqueiro para o filme.

Uma das linhas de apuração da PF é justamente verificar se parte do dinheiro foi desviada para o fundo texano, possivelmente utilizado para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O ex-deputado já admitiu ter figurado como produtor-executivo em uma versão anterior do contrato com a produtora de “Dark Horse”, mas alega ter se afastado da função após sua mudança para os EUA.