Polícia Federal diz não a acordo de delação premiada com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, por falta de informações relevantes e admissão integral de crimes.
A Polícia Federal (PF) tomou a decisão de rejeitar a proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A avaliação dos investigadores é que os termos apresentados por Vorcaro não trouxeram informações novas e relevantes que fossem além das provas já coletadas nas apurações.
Fontes próximas ao caso indicam que a dificuldade para a aceitação do acordo reside na falta de admissão completa dos crimes investigados no esquema bilionário de fraudes financeiras. A PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) consideram que o ex-banqueiro não cumpriu os requisitos de boa-fé exigidos para a colaboração premiada.
Um dos pontos de discórdia significativos foi a proposta de Vorcaro de devolver aproximadamente R$ 40 bilhões ao longo de 10 anos. Tanto a PF quanto a PGR consideram este valor insuficiente, desejando o ressarcimento de R$ 60 bilhões, valor estimado de desvios, e em um prazo mais curto.
Requisitos da Delação Premiada Não Cumpridos
De acordo com investigadores, Daniel Vorcaro não admitiu em seus anexos fatos que já constam nos aparelhos celulares apreendidos pela polícia. A regra da delação premiada exige que o colaborador confesse todos os ilícitos dos quais participou e tenha conhecimento, o que, segundo a PF, não ocorreu neste caso.
A defesa de Vorcaro ainda pode tentar uma negociação direta com a PGR, excluindo a PF do processo. No entanto, para que isso seja bem-sucedido, a PGR precisaria aprovar informações que foram rejeitadas pela PF, além de obter a chancela do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF).
Esquema Bilionário e Custos Elevados
Daniel Vorcaro é considerado o líder do esquema investigado, que já ultrapassa os R$ 57 bilhões em custos, segundo dados divulgados. A maior parte desse valor refere-se aos recursos que precisarão ser ressarcidos aos clientes pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), estimado em R$ 51,8 bilhões. O montante total das perdas ainda é desconhecido.
Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro do ano passado, ao tentar embarcar para o exterior no aeroporto de Guarulhos (SP). Ele foi solto dez dias depois e preso novamente em março, durante a operação Compliance Zero, que também atingiu servidores do Banco Central. Atualmente, ele está detido na Superintendência da PF no Distrito Federal.
Operações da PF Continuam Independentemente da Delação
A PF tem realizado novas fases de operações policiais independentemente da delação de Daniel Vorcaro. Recentemente, mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços do senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP. As suspeitas envolvem o recebimento de quantias repassadas por Felipe Vorcaro, primo de Daniel, e o pagamento de despesas pessoais do senador.
Felipe Vorcaro teria estabelecido uma parceria com pagamentos mensais ao senador, inicialmente de R$ 300 mil, com indícios de aumento para R$ 500 mil. Felipe foi preso temporariamente. Em maio, Henrique Vorcaro, pai de Daniel, foi preso em Belo Horizonte (MG), investigado por participar de uma organização criminosa suspeita de intimidação e coerção.